terça-feira, 10 de janeiro de 2012

Coisas estranhas que não entendo - Parte I

O Wacko Jacko vestido de Carlitos? É estranho, mas eu entendo.

O ano do fim do mundo começou, e eu continuo incapaz de entender alguns mistérios da humanidade. As vezes acho que é incompetência minha, as vezes acho que é insanidade dos outros. Muitas vezes, acho que são as duas coisas juntas...

Perguntas para as quais eu ainda não tenho uma resposta definitiva ou lógica:
- Por que um monte de gente vive como se a morte não fosse chegar nunca?
- O que leva pessoas a falarem uma coisa com a intenção de que entendamos outra?
- Por que as pessoas gastam tanta energia e disposição para acumular dinheiro e bens ao mesmo tempo em que se queixam tanto do trabalho que isso dá?
- Por que as pessoas levam tão a sério "verdades" modernas e esquecem com tanta facilidade de verdades eternas?
- Por que, à revelia de tantas demonstrações em contrário, as pessoas continuam agindo como se dinheiro trouxesse felicidade?
- O que exatamente leva as pessoas a confundirem o simples com o fácil e o complexo com o difícil?

Esclarecimentos e opiniões sempre serão bem vindos :- )
Em tempo : as vezes as coisas que eu não entendo me dão uma sensação boa de que ainda sou uma criança num mundo de adultos sabidos :- )




sexta-feira, 23 de dezembro de 2011

Feliz Natal e um ótimo ano novo!

O aniversariante.







Quase tudo no ser humano é fugaz.
Tudo passa, as coisas ruins e as boas também. Tudo pode ser perdido ou achado. A alegria, a tristeza, a liberdade, os valores (materiais ou morais), o orgulho, a posição social...nada disso é propriedade do homem e um dia, como numa prova silenciosa de que quase nada na vida é eterno, esses estados passageiros se vão.
Contudo, é impossível tirar de um homem o Livre-Arbítrio - O direito de escolher o que pensar e a sagrada opção de fazer diferente.
O direito a se reformar de acordo com o que as experiências passageiras da vida ensinam.
Então, nesse Natal, o meu voto aos meus familiares, amigos e conhecidos é de que possamos estar todos conscientes de que PODEMOS FAZER DIFERENTE! Isso é a única coisa eterna no Ser humano: o direitos a escolher novos caminhos e a se melhorar a cada dia.
Um feliz e pleno Natal a todos!

quinta-feira, 24 de novembro de 2011

Liberdade, liberdade, abre as asas sobre nós!

As vezes demora, mas um dia todo mundo sai do seu ovinho...






"...Num sentido mais amplo, a causalidade ou determinação de um fenômeno é a maneira específica na qual os eventos se relacionam e surgem. Apreender a causalidade de um fenômeno é apreender sua inteligibilidade."



Então tá.



Liberdade, como um valor, pressupõe o conhecimento de que nenhuma ação na vida é livre de seus efeitos. Não existe reação sem uma ação anterior. Nao existe efeito sem uma causa que o preceda. Isso independe do que queremos ou achamos. É uma Lei natural da vida e quem a desconhece não sabe o que é liberdade.



Viver livre (e voar livre também) não significa dizer que estamos imunes aos efeitos de nossas próprias ações. Evocar a liberdade para supor que podemos fazer algo sem que soframos o efeito de nossa ação é absolutamente contrário a naturalidade das coisas e seres. Os que a evocam, são em regra, os que menos idéia fazem do que é ser livre. Confundem liberdade com irresponsabilidade, como se possível fosse não ser responsável pela própria vida. Confundem ser livre com a ilusão de que podem subverter a ordem e o funcionamento do universo todo ao prazer de seus caprichos e vontades.



Nesse momento em que no voo livre e na vida em geral se multiplicam ações que subvertem o valor da liberdade e a delícia de ser livre, permito-me conclamar aos amigos que, como eu conseguem vez ou outra vislumbrar a liberdade, a não se deixarem levar pelas distorções que muitos tentam fantasiar e dar as cores da liberdade. São atormentados que infelizmente ainda não vislumbraram a plenitude de ser livre. Certamente sofrem muito com seus enganos e apesar da roupagem dita "normal" ou corriqueira de suas ações, essas não deixam na essência de representar uma aberração contrária a lógica.



Sejamos o exemplo de liberdade, vivendo com independência moral , emocional e espiritual. Sejamos livres ao nos bastarmos e nos conhecermos o bastante para evitar essas armadilhas.

















































quinta-feira, 6 de outubro de 2011

Um momento raro.

Há poucas horas, Steve Jobs o criador da Apple, da Pixar e um dos grandes revolucionários do mundo contemporâneo fez seu desenlace. Em alusão, segue o vídeo do famoso discurso de Jobs na Universidade de Stanford na Califórnia.
Trata-se de um dos raros momentos em que pessoas geniais conseguem transmitir sua genialidade a todos nós outros simples mortais.
Apreciem...

quinta-feira, 8 de setembro de 2011

Sobre ministros, rótulos e fé.

que soem as trombetas!



Taí duas coisas sem as quais a humanidade nunca conseguiu viver. Precisamos de rótulos para queimar as pestanas com coisas “mais úteis e importantes” e precisamos de fé em algo, para a gente ir vivendo. A fé, não necessariamente a religiosa , é o que nos move. Se trabalhamos com afinco ou se não trabalhamos, o fazemos em nome da fé. Fé na máxima de que “o trabalho enobrece o homem”. Ou fé na idéia de que o ócio faz bem quando é administrado. Como na decisão entre ser um trabalhador exemplar ou um vagabundo realizado, para tudo na vida é preciso fé.

Dizia o cantor e ex ministro que é bom andar com fé - não costuma falhar. Pela frase, mas sobretudo pela decisão de deixar de ser Ministro, parece um homem sábio.
Muitos de nós assumem a fé religiosa como um preceito norteador da vida. Outros, ao inverso, carregam orgulhosamente o rótulo de Ateu também a nortear a breve passagem nesse planeta.
Ambos me parecem sofrer do mesmo mal: A presunção aguda e, adivinhem, a fé (ela mesma!) em rótulos. E escrevo isso olhando para mim. Sou um cara de fé, inclusive em Deus, o que não quer dizer que não tenha meus momentos de desesperança e de falta de fé. Inclusive em Deus. Pouco provável a existência de alguém para quem caiba o rótulo de crente (e me refiro a Crente como uma pessoa que crê, abstraindo todos os outros significados da palavra) integralmente. Em resumo, não acredito na feliz possibilidade de se ter fé o tempo inteiro, como também é improvável que alguém tenha o infortúnio de viver sempre sem ela. A fé no intangível e no etéreo, assim como todas as outras variáveis da fé, não é uma constante na vida. Até quem não tem fé um dia tem. E até quem tem, experimenta não ter. Eu mesmo acabo de perder mais um pouco a fé na língua portuguesa: descobri que “fé” não tem plural e não é “nome contável”. Humpfff. Grande coisa.

Last, but not least, os rótulos esses malditos.
Como um paradoxo a gritar nos nossos ouvidos, nós rotulamos os outros e nós mesmos apesar de sabermos (ou desconfiarmos) que ninguém cabe dentro de qualquer rótulo. Ninguém tem tanta fé que não tenha seu dia de falta de fé e até quem se diz Ateu tem seu dia de fé no etéreo. Não vivemos sem rótulos mesmo sabendo que eles não servem pra nada...
Então, já que não vivemos sem rótulos e sabemos que eles servem pra nada (ou quase nada), que tal seria se o bicho homem relativizasse um pouquinho a importância deles? Seria bacana se a gente ao menos conseguisse olhar para quem se rotula ou aos outros e ....sorrisse simplesmente.

terça-feira, 30 de agosto de 2011

Dr. Lucas Machado e suas 5.000 horas de voo.

Os bons de braço sempre existirão.
Nos fascinam com sua habilidade singular e a condição de fazer com facilidade aquilo que a maioria não faz com dificuldade.
Um dia, (e esse dia chega para todos os braços) os bons de braço se machucam, ou aparecem braços melhores, ou surgem novas técnicas que otimizam braços nem tão bons assim...
E aqueles que se iludiram com a vaidade de ser o mais habilidoso caem no lugar comum reservado para aqueles que foram habilidosos somente.

Os campeões também sempre hão de haver.
Se sucedem, surgindo e desaparecendo sem que muitas vezes deixem um pedaço significativo de si como marca de sua existência no esporte. Com o ocaso desses campeões, surgem outros que ocupam o lugar daqueles que, por não terem mais os reflexos de antes (ou por terem mais juízo que antes) já não conseguem mais ganhar campeonatos. E o campeão do passado tem seu nome solenemente esquecido quando aparece o próximo ganhador de campeonatos.
E a vida vai dando exemplos da irrelevância das vaidades fugazes e do orgulho desnecessário.

O Dr. Lucas Machado é tudo isso sem que no entanto seja só isso.
É um excelente piloto, e foi competidor que viveu intensamente as competições.
Como excelente piloto, é uma excelente pessoa. Disponível e solícito para todos, desde o top pilot até o preá de primeiro prego (ou de milhares de pregos como eu :- )
Como competidor que foi não será lembrado por troféus ou por colocações, pois suas atitudes certamente serão mais duradouras do que o latão dos troféus que se desgastam em poucos anos.
Ser assim é para poucos.
E os que são assim, felizmente duram mais do que a própria existência: se eternizam na força de seus exemplos.

Que todos nós, nos miremos no exemplo de trajetória do Lucas para tornar as rampas pelo mundo a fora mais agradáveis.

Parabéns Dr. Lucas Machado.
Vc merece cada minuto dessas 5.000 horas voadas e de cada um das outras que ainda serão!


O texto abaixo é do Dr. Lucas Machado e tem como tema suas 5.000 horas de voo. Me permito publica-lo como expressão de rara beleza e poesia no voo livre:


"Vi minhas penas começarem a crescer.Vi como a vida é frágil e a natureza poderosa.Vi como o mundo é pequeno, lá de cima.E como o infinito é grande.
Vi rio, lagoas, represas, mares e cachoeiras.Vi morros, montanhas, serras, picos e cordilheiras.Vi cidades crescerem e matas desaparecerem.Vi pastos, plantações, queimadas e mineradoras.
Vi nuvens crescerem e se dissiparem.Vi brisas e rajadas.Vi raios e ouvi trovoadas.Vi chuvas e tempestades.
Vi minha sombra sobre a nuvem.Vi que ela é contornada por um arco-íris.Vi o azul de um céu de inverno.E a poluição abaixo da inversão.
Vi aves de rapina, condores e urubus-rei.Vi andorinhas copulando em pleno voo.Nunca mais vi uma harpia, nem um lobo-guará.Todos eles me viram.
Vi a Mantiqueira, os Andes, os Alpes e a Canastra.Vi o Pacífico, o Atlântico, o Mediterrâneo e o Índico.Vi o Vale Sagrado e o do Paraopeba.Vi todos os lados da Moeda.
Vi (mais de perto do que devia) cercas, postes, fios, árvores e telhados.Vi helicópteros, balões, ultra-leves e planadores.Acho que eles também me viram.Não vi nada dentro das nuvens.
Vi a consagração de amigos e a resignação de outros.Vi a resiliência de uns e a desistência de outros.Vi os acertos de uns e os equívocos de outros.Vi a paixão de todos.
Vi o avanço tecnológico.Vi que a nossa mentalidade pouco evoluiu.Vi o rendimento de nossas asas aumentarem.Vi a segurança delas se esforçando para melhorar.
Vi a morte de perto, mais de uma vez.Vi reservas abertos e outros que quase abriram.Vi asas quebradas e outras fechadas.Vi o chão rapidamente se afastando e igualmente se aproximando.
Vi o Pepê junto à minha asa.Vi também o Calais e o Paulinho.Vi amigos morrerem e seus filhos nascerem.Vi o choro dos que compartilharam.
Vi que as causas dos acidentes continuam as mesmas.Vi que nós mesmos somos os maiores responsáveis por eles.Vi imprudência, imperícia e negligência.Também vi a sorte sorrir.
Vi o romantismo dos novatos. E a malícia dos veteranos.Vi o arrojo dos jovens. E a cautela dos mais experientes.
Vi isso tudo lá de cima. Onde vejo o que verdadeiramente sou: Um visionário."
Lucas Machado

quinta-feira, 30 de junho de 2011

1 0 2 1 3 2 2 3



Não sou muito chegado a números. Nunca fui. Talvez por isso, tenha me surpreendido quando tive vontade de escrever sobre eles.

O algarismo que dá título a esse post tem uma propriedade única entre os números e raríssima entre as pessoas.


Eu explico.

1 0 2 1 3 2 2 3, além de ser 10 milhões duzentos e treze mil e duzentos e vinte e três, descreve a si prórprio : Um número 0, Dois números 1, Três números 2 e Dois números 3. Dizem que é o único número que tem essa capacidade.
Para os de natureza cartesiana, esse texto se encerra aqui. Uma curiosidade sobre um algarismo somente. Já dá pra contar na mesa do Bar comendo uma pizza com os amigos.

No entanto, como a minha cabeça naturalmente não encerra cartesianismos (por absoluta incompetência eu devo afirmar) me peguei a pensar como essa qualidade também é difícil de ser encontrada nas pessoas. Pessoas que se auto descrevem são raríssimas. Não simplesmente pessoas que em tom confessional adoram falar de si. Destas, o mundo anda cheio. Me refiro àqueles seres especiais que conseguem unir o que representam a uma descrição perfeita de si próprios na leitura de suas ações. Pessoas que são o que são simplesmente.

A essa simplicidade do ser e agir, pode-se dar o nome de plenitude. Ser pleno, nas ações e no que se representa é para pouquíssimos. Para a maioria, basta um bom discurso, boas justificativas e pronto;


Sou honesto, mas preciso jogar o jogo da vida.


Prezo os valores positivos, mas nem sempre é possível ter condição para vive-los.


Esses e outros tantos mantras da vida e da sociedade competitiva encerram, em resumo uma só mensagem: Não sejamos plenos! Contudo, ninguém lembrou de dizer o preço que pagaríamos ao abrir mão da plenitude em nome do pragmatismo.

E por causa disso, cada vez mais gente vive com a impressão de que anda faltando alguma coisa na vida.




quarta-feira, 27 de abril de 2011

João Foiaça, o paragraidista.

Figura exótica de Leopoldina/MG, dissertando acerca de seus voos de "paragraide".
Imperdível!

terça-feira, 12 de abril de 2011

17ª Clínica ABP - Jaraguá do Sul/SC

Acabei de voltar de mais uma clínica da ABP, dessa vez em Jaraguá do Sul/SC. Essa é a quarta clínica que participo como palestrante e a primeira na qual tive a incumbência de ajudar no aspecto pedagógico. Algumas impressões:


- Cada dia de trabalho com o Staff das clínicas reforça em mim a certeza de que estou entre pessoas comprometidas com uma causa em comum. Fantástica a dedicação de todos!


- Azeitona e Tuzim: Duas peças raras a quem o voo de Parapente já deve muito. Poucas vezes vi pessoas tão focadas e afinadas como esses dois.


- Estamos trabalhando para tornar as clínicas cada vez melhores e antender aos anseios da comunidade do parapente no Brasil. Aguardem! Sabemos da responsabilidade que o projeto carrega e tudo o que ele representa. As Clínicas serão cada vez melhores podem ter certeza!

quinta-feira, 7 de abril de 2011

O fiel da balança


Está na revista "Trip" desse mês; e quem sabe não deveria estar em um manual de instrução que acompanhasse todo ser humano?


"Quando estiver na dúvida entre a verdade, a justiça e o amor, fique com o amor. Muitas guerras foram feitas em nome da verdade e da justiça. E não se tem notícias de guerra em nome do amor. Os erros cometidos com o pressuposto da verdade e da justiça são terríveis, mas os erros com pressuposto do amor são benignos"

quarta-feira, 30 de março de 2011

Mais um bom blog.

Leia quando puder se emocionar.

"Para Francisco" é um blog que virou livro e que, de forma muito delicada, trata das relações de uma mãe com seu filho recém-nascido. O Pai, faleceu inesperadamente ao fim da gravidez.

Uma aula de emoção, sensibilidade , poesia e tudo o mais que faz com que a gente se renove e acredite um pouco mais na vida.

sexta-feira, 4 de fevereiro de 2011

Um bom Blog

Pra quem curte competições e o dia a dia de um piloto que vive o Voo Livre como esporte profisisonal e de alto rendimento, sugiro a leitura do blog do Claytim, piloto nativo da Serra da Moeda de quem eu testemunhei parte de seu desenvolvimento e dedicação ao Voo Livre. O Blog é muito bacana e uma leitura muito agradável. Tanto pra quem participa de competições quanto para aqueles que tem curiosidade em saber como funcionam as maiores e mais importantes competições do Mundo.

Para ir ao blog do Claytim, clique aqui

quinta-feira, 30 de dezembro de 2010

17ª Clínica de Pilotos e Instrutores ABP.

Taí o cartaz promocional da 17ª Clínica de Pilotos e Instrutores da ABP , a ser realizada entre os dias 08, 09 e 10 de Abril/2011.
Ccomo projeto em execução, não vejo nada mais útil para o Voo Livre no Brasil do que a Clínica da ABP e acho que quem pode, deve participar de quantas for possível.

sexta-feira, 8 de outubro de 2010

O meu Voo Livre

O mundo sob a perspectiva de quem olha de fora. Isso é bacana demais :- )

O meu Voo livre é diferente do voo livre de alguns. O meu voo livre é o prazer de ir pra uma rampa, muitas vezes só pelo prazer de ir pro alto de uma montanha. Voar? É muito bom, mas estar no alto de uma montanha escutando o barulho do vento, vendo os pássaros manobrarem no fluido que me atrai é igualmente gostoso.

O meu Voo Livre me satisfaz muitas vezes com um voo prego daqueles. Em outras, o voozão também me satisfaz igualmente, mesmo que o meu voozão não seja um voozão para os outros.

Pousar num lugarzinho sozinho e conversar comigo mesmo enquanto dobro o paraca. A leveza das endorfinas fazendo efeito enquanto, já no chão, agradeço ao Criador e a vida por ter tido a oportunidade de ver a vida com olhos de quem já voou sentindo a brisa no rosto, ao lado de passarinhos se amalgamando a natureza enfim é o que vale no meu Voo Livre.

Escrever sobre isso e ter a impressão de reviver tudo isso na alma - esse é o meu Voo Livre.

Pouco para alguns, mas é meu!


segunda-feira, 9 de agosto de 2010

Urgências, importâncias, arquitetos e diferenças. Flagrantes de idéias que saltitam por aí.

Kurt Cobain do Nirvana pouco antes de se matar.
1) Será mesmo que sabemos diferenciar aquilo que é importante daquilo que é urgente?
Coisas importantes nem sempre são urgentes e, geralmente, podem ser substituídas por outras nem tão importantes (mas certamente urgentes), sem que se dê conta do absurdo que isso significa.
2) Trocando umas idéias dia desses, um arquiteto me disse que eu não devia comprar móveis em tom de madeira semelhante àqueles que eu já tinha. Corre-se o risco, dizia ele, de ao tentar igualar a cor acabar por ressaltar a pequena diferença entre as tonalidades.
E eu fiquei pensando em como as pessoas são absurdamente parecidas com móveis! A grande armadilha para quem imagina ser capaz igualar as pessoas é a conclusão de que quanto mais se tenta aproximar as nuances, mais isso acaba por ressaltar as pequenas diferenças que só ficam visíveis quando aproximadas de outros "tons" parecidos.

sexta-feira, 30 de julho de 2010




Soneto de aniversário
Vinicius de Moraes


Passem-se dias, horas, meses, anos

Amadureçam as ilusões da vida

Prossiga ela sempre dividida

Entre compensações e desenganos.


Faça-se a carne mais envilecida

Diminuam os bens, cresçam os danos

Vença o ideal de andar caminhos planos

Melhor que levar tudo de vencida.

Queira-se antes ventura que aventura


À medida que a têmpora embranquece

E fica tenra a fibra que era dura.

E eu te direi: amiga minha, esquece...

Que grande é este amor meu de criatura

Que vê envelhecer e não envelhece. (Rio, 1942)


Texto extraído da antologia "Vinicius de Moraes - Poesia completa e prosa", Editora Nova Aguilar - Rio de Janeiro, 1998, pág. 451.


quarta-feira, 16 de junho de 2010

Brinquedo novo!

Na saída, o sol ainda baixinho no Retiro.
Comprei um bicicleta.


Não que eu estivesse em dúvida sobre casar ou comprar uma. Na verdade, a dúvida que persistia era outra e dizia respeito sobre ter ou não uma atividade além das tantas que já tenho, umas por imposição dos compromissos diários e outras por escolha consciente e voluntária por assim dizer. Resolvi que sim, eu merecia uma magrela! E que o uso que eu deveria fazer dela seria pra ir longe de vez em quando. No último final de semana, fiz minha primeira viagem de verdade no pedal: Juiz de Fora X Leopoldina pela BR 267 totalizando aproximados 95 kms. A Bike é uma mountain bike (Haro flight line 661, 24 marchas, freio a disco) mas minha primeira viagem tinha que ser para leopoldina e o asfalto acabou sendo a escolha mais interessante pois teria o apoio da Karine que viajaria de carro na mesma data.

Total do tempo gasto na viagem: 6 horas

Total pedalando: 4 horas e meia

Conclusões:

-Pedalar até Leopoldina foi show, mas pela BR 267 nunca mais! Sem acostamento, passei vários perrengues com carretas, caminhões, ônibus e carros durante toda a viagem.

-Tô melhor do que imaginei. O plano era chegar em Leopoldina por volta das 16. Cheguei 2 horas e meia antes do planejado.

- Os piores trechos:

Juiz de Fora X Bicas. Subidas fortes, frio pra caramba e corpo ainda frio.

Argirita X Leopoldina. Muitas subidas, e a mente relaxada achando que já tinha chegado.

- O melhor trecho: Guarará x Argirita. Fiz média de 30 km/h em um trecho com algumas boas descidas e o restante plano.

- O plano agora, é descer a Serra dia desses e acha o mar azul de Cabo Frio ao fim da viagem...vamos ver.




segunda-feira, 10 de maio de 2010

Um texto, um estado de espírito. *

Voar de coleira não é legal...




O texto não é meu (imagino que possa ser psicografia do Bacelli.)





"Não se iluda meu amigo
a vida é eterno volver
A roseira decepada voltará a florescer

Olha a semente de trigo encarcerada no chão
Ei-la que em breve ressurge para o milagre do pão

Contempla o incêndio que lavra a floresta voraz
Cai a chuva de mansinho
e a natureza se refaz

A Lagarta
aparentemente morta
transforma-se em bailarina no voo em que se transporta.

Vida e morte
Morte e vida
São estágios naturais da existência que não cessa jamais"


* Que as mudanças que se sucedem na vida tenham sempre o significado natural de estágios necessários. O texto, claro, transmite o meu estado de espírito, diante de mais um estágio livrado e outro que vislumbro, esperançoso, à frente.

quinta-feira, 15 de abril de 2010

Futuro do pretérito.

O verbo Estar no futuro do pretérito me dá uma sensação de coisas que deviam ser e não são. Coisas que não estão no lugar correto no tempo e ou no espaço.
Esse tempo que em verdade me parece meio surreal, parece definir situações imperfeitas ou incompletas.
É exatamente assim que eu me sinto ao lembrar que hoje meu Pai estaria completando 59 anos se ainda estivesse nesse Plano.
O futuro do pretérito...

terça-feira, 2 de março de 2010

Clínica da ABP em Castelo - o que eu vi.


No final de semana passado estive pela segunda vez como Convidado palestrando em uma clínica da ABP. Da primeira, como manda o manual da pressa e correria, cheguei 15 minutos antes da palestra e sai 15 minutos depois. Não tive pois, chance de avaliar o evento.
Dessa vez porém, tive como assistir toda a Clínica e avaliar o tal evento para o qual tinha sido convidado a palestrar.
Vi um evento que não é perfeito, nem livre de falhas, mas que é de longe a melhor iniciativa para formação de pilotos e Instrutores de parapente em curso no Brasil.


Vi um evento em que no mesmo final de semana consegui ouvir o Kurt e o Sivuca falar.

Vi um evento em que o Ary Pradi, da Sol Paragliders, esteve presente durante grande parte do tempo, solícito como sempre, dando uma visão perfeita e muito clara do mercado de Parapentes.

Vi um evento que conta com uma figura única no parapente: O Tuzim. O carisma e a vivência desse cara por si só já me fazem ter a certeza de que o final de semana longe da família valeu a pena.

Vi um evento muito bem conduzido pelo Azeitona, pessoa que parece entender que o dirigente deve ser aquele que, primordialmente, cria mecanismos para que as pessoas cooperem com o máximo que podem.

Vi um evento em que todos os palestrantes se imbuíram daquele entusiasmo típico dos que acreditam no que fazem e falam.

Vi um evento no Espírito Santo, estado pungente que dá exemplos diários para o parapente no Brasil.

Vi e senti um clima de camaradagem muito longe das disputas políticas que muitos imaginam fazer parte de um evento desse porte.

Apesar de eventuais falhas e erros a que todos nós estamos sujeitos quando resolvemos realizar algo pela primeira vez, a Clínica de Pilotos e Instrutores da ABP é a melhor iniciativa para a formação de Pilotos e Instrutores no Brasil e certamente marcará época no futuro como um importante passo no rumo de um esporte mais seguro, íntegro e honesto. Tenho a impressão de que àqueles que participam ou participaram de uma Clínica não ganham somente conhecimento: ganham sobretudo a certeza de que embarcaram no trem da história do parapente no Brasil. É assim que eu me sinto.

E por isso, agradeço.

quinta-feira, 4 de fevereiro de 2010

Verdades e mitos sobre o Voo Livre. Segunda parte.

Enroscaaaaaaaaaaaa!!!


"VOO LIVRE ANTIGAMENTE ERA MELHOR" - MITO
O Voo livre antigamente era um arremedo de esporte; em regra geral as pessoas se jogavam de alguns lugares e, com alguma frequência, isso dava certo. E dava errado muito mais vezes do que se imaginava aceitável. Atualmente, ainda dá errado, mas creiam os amigos: em muito menor proporção do que antigamente.

"VOO LIVRE É ESPORTE COMPETITIVO" - MITO
Voo livre, como qualquer outra atividade, pode ser competitivo ou não.
Decolar no rotor, enroscar naquela bicuda a 50 metros do chão, varar o cizalhamento tomando sacode de todo lado é opção - não deve ser regra para a prática do esporte. As vezes, fica a impressão de que para voar é preciso fazer isso todos os dias. Ou fazer as vezes. Ou fazer ao menos uma vez.
O Voo competitivo em que essas posturas são obrigações que acompanham o piloto, deve se restringir àqueles que treinaram para isso e trazem consigo aquilo que se condicionou chamar de vocação.
Em resumo, se você imagina que será um piloto competitivo saiba que isso não depende só de você. E isso não é experimentação ou palpite. É constatação depois de ver um monte de gente se machucar e outros tantos pararem de voar com dois ou tres anos de esporte ,achando que já viveram tudo que o esporte proporciona.

"EU NÃO POSSO VOAR PORQUE NÃO TENHO TEMPO PARA O ESPORTE" - VERDADE
Se você resolveu voar "sempre que der vontade" ou porque queria um hobby descolado para tirar uma onda, devo dizer que você escolheu o esporte errado. Voo Livre é mais do que um esporte ou um hobby - é um estilo de vida.
Para voar, é preciso gostar de estar na rampa.
É preciso tempo para estar na rampa (nem sempre isso é fácil).
É preciso gostar de conviver com a fauna do voo livre.
Saiba, enfim, que se você escolheu voar isso vai te tomar um tempão. E que esse tempão vai fazer falta para outras atividades. E essa falta pode custar muito caro se você não tiver certeza de que é mais um apaixonado pela brincadeira.


segunda-feira, 1 de fevereiro de 2010

Os donos da verdade.


Triste mesmo é gente que se acha no direito de ditar comportamentos.
Para esses que não se bastam, é preciso transformar todos em iguais. A diferença faz com que suas inseguranças aflorem e que eles se pareçam com aquilo que realmente são: pequenos na essência.
Preconceito e segregação enfim.

Boa semana a todos!

sexta-feira, 29 de janeiro de 2010

Fotos do novo Mistral 6

Vem aí o novo Mistral 6 da Swing. As primeiras especulações dão conta de que o brinquedo tem A/R de 6 e manterá a homologação EN B e LTF 1-2 de seu antecessor!!
As fotos indicam que o novo Mistral 6 chega com as características do Astral 6: um novo padrão de arqueamento e alongamento para a classe.
A Ewa Winierska voando no Nepal com o novo Mistral 6. Aspect Ratio: 6 Homologação: LTF 1-2 EN B (a confirmar) !!!

quinta-feira, 28 de janeiro de 2010

Como nasceu o Vou Livre.

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O sorriso dos passarins - a imagem que fala e representa esse lugar.



Esse blog completou 2 anos. Alguns leram o início dele . Começou tímido e desprovido de uma identidade, como sinal evidente de um tempo em que o seu criador também procurava se realocar nesse mundo doído e doido. Hoje, se os amigos tiverem a curiosidade de, como dizia o Sr. Humberto meu avô, "passar a vista" no que aqui já foi escrito verão que ele faz o seu caminho. E, por efeito, cria a sua identidade. Para mim que pariu todas as escrivinhações, é surpreendente como as escritas vem sendo o espelho da minha alma que também faz seu caminho novo.


Tres anos antes do nascimento do blog, começou a tomar corpo a atitude que culminou por ser aquela que iria gerar os rascunhos digitais que eu tive e tenho coragem de apresentar aos amigos. Vida louca, em que os valores positivos são tão pouco entendidos; é preciso me voltar para mim mesmo; era isso que eu, dentre outras tantas coisas, pensava em 2005. Era passado um tempo em que foi inevitável o envolvimento com questões que me doiam a alma sinceramente, a revelia de muitos imaginarem que eu buscava usar a miséria alheia como degrau para a ascenção ao panteão dos iludidos com o reconhecimento falso. Como resultado daquele período, tenho a consciência limpa por ter feito o que minhas limitações permitiram ser feito onde me foi permitido fazer. Ao fim do ciclo, começou outro onde o objetivo era o de voltar a viver de forma mais simples, coisa da qual havia sido privado. A simplicidade para mim está em buscar as referências mais conhecidas. E as minhas, felizmente, são baseadas no ser algo de positivo para mim e para aqueles com quem tenho o privilégio de conviver. Sobretudo as tres pessoas a quem eu devo agradecer por ainda estar vivo, lúcido (um pouco) e cheio de curiosidades e anseios para um futuro que a cada dia mais, se revela portador de grandes e importantes realizações: A Ana Clara a Luísa e a KarineMãeMulherIncansável. Como em qualquer mudança, a poeira subiu e as coisas saíram do lugar. Algumas ficaram difíceis de ser encontradas, apesar de haver a certeza de que por mais bagunça que haja, as coisas não desaparecem simplesmente - ao contrário, hão de ser reencontradas no dia em que a gente nem mais imagina. Algumas até o momento continuam sumidas em alguma caixa de papelão que ainda não foi aberta dentro da minha caixola, mas a vida e tudo o que eu já vi e vivi me fazem ter a certeza de que um dia eu acho o que ainda está temporariamente sumido.


Coisas como o voo livre, paixão que de certa forma me faz ser quem eu sou, o espiritualismo aliado sempre a busca por entender o que faz do homem um bicho tão cheio de cores e tons inesperados foi o que passou a mover mais do que nunca minhas entranhas; tão intensamente quanto outras tantas coisas e motivos já me moveram. Afinal, nasci sob um céu que me justifica enquanto inquietude.


Dessa mistura, brotou o estado de espírito para parir esses rascunhos que só a generosidade de alguns explica o fato de ainda existirem.


Cada vez que escrevo algo aqui, me sinto mais responsável por tudo isso enfim. Graças a Deus.

quarta-feira, 20 de janeiro de 2010

O Swing Astral 6 - minhas impressões.


Eu decolando em Leopoldina com o brinquedo

Como prometido, posto então as minhas impressões sobre o Astral 6 , novo LTF 2 da Swing . Não custa lembrar que, como as impressões postadas sobre o Mistral 5, esse post tem por objetivo listar aquilo que pessoalmente considerei importante para que cada um possa formar seu juízo de valor a respeito do parapente. Reitero que seria bom ver mais pilotos fazendo a mesma coisa.


APARÊNCIA, MATERIAL E ACABAMENTO:
O Astral 6 é um parapente completamente diferente da grande maioria dos LTF 2/ EN C. Com um enorme arqueamento e um alongamento superior a todos os outros LTF 2 e a maioria dos LTF 2-3 lembra o shape de velas mais avançadas e performáticas. Devo confessar que quando vi a primeira foto do proto, imaginei que por algum engano tivesse recebido a foto do WRC, competition da Swing. Naquele momento não poderia imaginar que a Swing tivesse já em fase final de testes uma vela com aquela configuração para substituir o Astral 5.
O novo design de cores da Swing agrada pela sobriedade e estética.
Os tecidos do Astral 6 são mais leves do que os do seu antecessor. A Swing usou tecido de 41 g/m² no extradorso e 35 g/m² no intradorso. No Astral 5, o tecido era 44 g/m² no extra e no intradorso. Ao que parece, os ganhos de segurança e performance com tecidos mais leves fazem com que a regra no projeto de novos parapentes seja a busca por tecidos mais leves e de boa qualidade.
No acabamento nenhuma novidade, o que é excelente: manteve-se o padrão "Swing" de qualidade o que é sinônimo de excelente acabamento. O Mistral 5 já era uma vela muito bem acabada e o Astral 5 que eu tive em mãos até chegar o 6 também era.


DECOLAGEM:
6.4 de A/R! É muito.
A expectativa gerada por uma vela muito mais alongada dos que seus concorrentes da mesma classe foi grande. Devo confessar que imaginei uma decolagem muito mais dificil do que é de fato. Trata-se na verdade de uma vela dócil na decolagem. Guarda as características que pude admirar no Mistral 5 e no Astral 5 de decolagem sem sobressaltos. Obviamente, não decola como uma vela 1, mas ainda assim é muito fácil de decolar. Se fosse definir em uma só palavra a decolagem do Astral 6 diria que ela é antes de qualquer outra coisa intuitiva.



O Ari Rosa do ES, também amarradão com o seu Astral 6.

O VOO:
6.4 de A/R! É muito. (2)
À primeira vista, é impossível não imaginar como se comporta uma vela com homologação LTF 2 e alongamento superior a imensa maioria dos 2-3. Também impossível não supor que a vela tenha reações diferentes das de uma vela LTF 2 "normal". As suposições e temores caem por terra no primeiro voo. A primeira e mais óbvia constatação é a de que a vela é extremamente performática. Voa muito! Rápida sem ser desajeitada em térmicas. Aliás, sobe surpreendentemente fácil.
Os comandos são mais macios do que os de um Astral 5 ou Mistral 5. Os cursos de freios são longos e relativamente tolerantes.
Até o momento tenho aproximadas 10 horas de voo com o brinquedo e ainda não tomei nenhum colapso no qual pudesse avaliar as reações da vela pós colapso. Mas devo afirmar que até agora nenhuma reação da vela me pareceu ser mais exigente do que devem ser as reações de um LTF 2.
O planeio da vela é surpreendente, assim como a velocidade. Notícias pipocam dando conta de que a vela anda voando mais do que velas de categorias superiores, fato que pude atestar em algumas ocasiões.
Homologada a vela, não restou nehum traço do grande arqueamento e o enorme alongamento - 6.4 de A/R! É muito (3), a não ser na performance e em um pequeno detalhe: as orelhas não se abrem com tanta facilidade como em outras velas da classe. Coisa de vela com 6.4 de A/R!


Esse é o Ricardo de Juiz de Fora, mais um apaixonado pelo brinquedo.


RESUMO:
O Astral 6 marca época ao atingir um novo patamar de alongamento e arqueamento para velas de homologação 2. Será certamente referência para os próximos LTF 2 a serem lançados.
Trata-se de uma vela muito bem cuidada em seu projeto e que atingiu objetivos improváveis para velas LTF 2. A Swing divulga um L/D de 9.7 e velocidade final de 53 Km/h, mas a frieza dos números não são competentes para traduzir tudo que esse parapente parece representar em termos de evolução para pilotos "comuns" como eu.
Se você voa em um Astral 6 e quer fazer alguma correção ou incluir alguma outra impressão que tenha passado desapercebido no post, fique a vontade. E se você não voa mas tem interesse em saber mais também fique à vontade.

segunda-feira, 9 de novembro de 2009

Verdades e Mitos sobre o Voo livre. Primeira parte.

"VOO LIVRE É UM ESPORTE ARRISCADO" - VERDADE.
Se pendurar num pedaço de pano que fica suspenso por um monte de linhas ao sabor de correntes de ar, certamente é uma atividade de risco. O que as vezes não fica muito claro é que é possível praticar uma atividade de risco com consciência. Gerenciar os riscos. O canto da Sereia é tão forte e convincente que, as vezes, até os próprios pilotos passam a acreditar que são malucos sem nenhum senso de amor ao próprio couro. Ou que devem agir como se fossem. É possível voar de parapente sem se correr risco desnecessários. Para isso é preciso entender que a atividade é inerentemente de riscos.
"VOO LIVRE É UM ESPORTE DEMOCRÁTICO" - MITO.
Um dos mitos mais comuns em que muita gente (inclusive eu) acredita ou acreditou. Voar é, ao contrário, um esporte extremante seletivo. A aptidão para ser piloto de parapente é tão clara como a inaptidão de alguns. Tentar tornar apto aquele que não tem aptidão é um erro que normalmente redunda em risco de vida. Para esses (que tem vontade mas não tem aptidão), existe o voo duplo. Criar a habilidade para pilotar naqueles que já tem aptidão ou avisar ao candidato a futuro piloto que a brincadeira não é para ele - esse é o papel de um bom instrutor.
"VOO LIVRE É UM ESPORTE AMADOR" - MITO.
A estrutura do voo livre hoje é de um esporte profissional. Há centenas de pessoas vivendo do voo livre no Brasil, muitos realizando tarefas com extrema competência. Há que se entender no entanto que a raiz do voo livre é fincada em terras férteis ao empirismo. É preciso não confundir uma atividade profissional com uma atividade que seja alvo de estudos e que deixe, por isso, de ser empírica. O que falta ao voo livre não é profissionalismo: é estudo e método. Organização enfim.
"VOO LIVRE É UM ZOOLÓGICO" - VERDADE.
Provavelmente nenhum outro esporte tem a capacidade de juntar tanta gente diferente em um mesmo lugar com um único objetivo. Desde que haja aptidão e paixão pela brincadeira, pessoas das mais diferentes idades, etnias, classes, gêneros, índoles, temperamentos, crenças e experiências convivem bem.
"VOO LIVRE É COISA DE GENTE DOIDA" - VERDADE.
Dizem que louco é qualquer ser vivo que pisca. Ou ainda aquele que não tem comportamento ditado pelo que a maioria julga razoável. Nesse sentido, somos todos loucos por termos optado pelo indescritível prazer de voar sozinhos e sem motor por horas pendurados por aquele monte de linhas fininhas. Pobre do bicho homem que se imagina feliz e pleno se enquadrando na "normalidade".

terça-feira, 4 de agosto de 2009

Fragmentos fugazes.

O céu como um mar revolto. Boa metáfora para esse mundo doido.


As vezes, o Mundo é pouco amistoso com quem deseja dar prioridade a valores que não os materiais. É difícil não deixar que o materialismo, que assola tal qual uma Pandemia a humanidade, também nos contagie e nos faça mais uma alma moribunda. Quase tudo conspira a favor do culto ao Ter. A vaidade é celebrada como se fosse uma virtude. Em nome de ser superior e mais poderoso do que o outro, abrimos mão da serenidade e do prazer de viver.


Antídoto contra o materialismo não há - ou eu penso que não. Noto porém, que todas as vezes que a vida se torna pouco simples é quase certo que tenhamos nos esquecido de um troço que minha mãe e pai chamavam de Princípios. Os alicerces morais da vida. O que mesmo que saibamos ser muito raro e as vezes até doloroso desenvolver, fazemos questão de também falar aos nossos filhos. Simplesmente porque (talvez) lá no fundo saibamos que é a única coisa que pode dar um coração sereno.


Somos efeito de nossas escolhas e ações na vida. Para o bem e para o mal. Pedagogicamente, vemos em nós mesmos as consequências das bobagens que fazemos.

As cagadas (que me perdoem o primeiro palavrão em quase dois anos de blog) só não ensinam mais do que a capacidade infinita que temos de nos reeguer na vida. Cair e levantar é a regra natural para seres errantes como todos nós. Mais sublime e humano do que o soerguimento não há.


E o que eu quero dizer com tudo isso? Simplesmente que me nego ao compromisso com as minhas imperfeições.

quinta-feira, 2 de julho de 2009

O Voo Livre e as regras.




A discussão que ultimamente vem tomando conta da Lista Br e das rampas é a respeito do uso indevido de espaço aéreo. Para quem ainda não se inteirou, tudo começou com as congratulações públicas a certo piloto que teria realizado um (bom) voo - no entanto o voador teria invadido espaço aéreo restrito para tal. Surgiram os que defendem o piloto e a natureza "Livre" do voo e outros tantos, que racionalmente, defendem a obediência a uma regra primordial e inquestionável de conduta aérea.

Preliminarmente eu mesmo devo, para o bem da sinceridade, admitir que sempre tive muita dificuldade para entender essa, digamos, "ordem anárquica" que impera na cabeça de grande parte das pessoas que voam de asa e parapente. Talvez por eu não ser assim. Imagino que é preciso ao menos um pouco de organização para todas as coisas na vida. Mas diante de um quadro que inicialmente me pareceu absolutamente inexplicável, de ojeriza a qualquer regra por menor que esta fosse, me senti tentado a entender o que acontece na realidade. Gosto mesmo de gente e tento entender as pessoas sempre que possível...me surpreendi ao constatar que entender esses "malucos" não foi tão difícil assim.

Para tentar explicar esse estado de coisas e idéias, é preciso remontar ao início da história da vontade de voar que assola o ser humano desde que ele olhou pro céu pela primeira vez. Leonardo da Vinci, disse que "um homem equipado com asas pode vencer a resistência do ar, conquistar esse elemento e subir apoiado nele"; para o bem de sua integridade física e da Arte em geral, Da Vinci não tentou provar a sua teoria...
O grande patrono do voo planado é o alemão Otto Lilienthal, que ao longo de 15 anos a partir de 1871 realizou diversos voos (aproximadamente 2000). Foi o primeiro registro de algúem que tenha ganhado altura em um voo planado, restando então a conclusão de que o tal Alemão foi o primeiro a se deparar com uma térmica.
Outros tantos malucos, norte americanos, europeus e até um tal de "Padre voador" Brasileiro se mataram ou se machucaram tentado se jogar de barrancos pelo Mundo a fora no intuito de voar como pássaros.

Depois de muita gente quebrada e aproximadamente 200 que perderam a vida em experimentos exóticos, eis que aparecem os Irmãos Wright e o Santos Dumont. Após o famoso Demoisele de Santos Dumont, em questão de poucas décadas o voo deixou de ser esse sonho maluco, e passou a ter a dimensão de transporte público, ganhando então com isso um monte de Regras e burocracias na medida em que o céu foi se enchendo de aviões. Nas precisas palavras de Cláudio de Moura Castro, o voo virou "O Supremo Império do Não pode". Não havia mais lugar para se voar pelo prazer.

Eis que então, passados muitos anos, os malucos reaparecem com suas traquitanas e começam a se dependurar debaiso de trapézios de uma tal "Asa delta". Alguns anos depois, um médico e um açougueiro/poeta (a falta de formação científica de ambos para o voo diz muito) inventam um tal "para wing" que depois vira parapente.
Estava reestabelecido que era possível voar por prazer! Livre de motores e também do "Império do Não pode"

Somos descendentes ideológicos diretos dos "Incríveis homens e suas máquinas voadoras" do século XIX. Não sei se existe espaço para esses romantismos nesse mundo de urgências e "Gestões de qualidade", mas eu devo confessar que gosto de pensar que sim- deve haver espaços para os românticos.
Não se trata de apologia a qualquer tipo de irregularidade: trata-se sim, de entender que o meio em que nós voadores nos metemos, por força do "DNA ideológico", nos faz frutos das maiores maluquices e esquisitices que já foram realizadas em nome do sonho de voar.




*Referências explícitas ao "MEIO SÉCULO NO LIMIAR DO PERIGO - Memórias de um aventureiro amador", de Claúdio de Moura Castro, um dos melhores e incrivelmente pouco conhecido livro já escrito a respeito de voo livre.

terça-feira, 19 de maio de 2009

Sobre pais, filhos e riscos.

Foto: Anne Geddes

Dia desses, numa corrida despretensiosa por notícias na internet achei uma (infelizmente não sei onde), de um pai que tirava um retrato por dia do filho desde que esse nasceu. O moleque já devia ter uns 4 ou 5 anos e lá estava um montão de fotos desde que o pirralho ainda era nenenzinho. Fiquei pensando em como isso é meio louco e surreal... Quem não gostaria de ter um instantâneo de cada dia de vida dos filhos? Legal né? Pois é. Também achei. O problema talvez seja o fato de que o mais importante é sempre aquilo que não pode ser organizado ou mensurado.
Como por exemplo registrar a emoção que toma conta da gente quando vemos um filho dar os primeiros passos? Se é possível, eu sinceramente nem imagino como. E, quem sabe, foi o medo de perder a lembrança que fez o tal pai retratista tirar uma foto por dia do filho? Todos somos medrosos assim. Eu em particular me declaro um medroso. Tenho medo de não conseguir repetir dentro de mim as sensações e emoções que me varrem vez ou outra. E é verdade também, que corremos sempre esse risco de viver coisas intensas e fugazes na mesma proporção. Ou de não conseguir organizar essas coisas.


Não sei não, mas suponho que a vida é mais sentir do que organizar as coisas. E assim vamos nos transformando em uma outra pessoa sem que a gente note. A ilusão que faz a gente supor que é possível controlar e organizar as emoções as vezes é necessária para continuar vivendo. Mas não deixa de ser uma ilusão ou pretensão bem pouco plausível.


O mundo muda, a gente muda, os filhos crescem, coisas impossíveis e improváveis acontecem. Impossível organizar ou prever tudo isso. Ou não? :-)

quinta-feira, 16 de abril de 2009

Os erros de disponibilidade - sobre médicos, erros e voo livre.


Fotos: Hebrom Tebas



Dentre tantas coisas boas e ruins que li ultimamente, um livro em especial me chamou a atenção: trata-se do "Como os médicos pensam", livro do Dr. Jerome Groopman, Oncologista, hematologista e Professor da Faculdade de Medicina de Harvard. O Dr. Groopman escreveu um livro a respeito dos processos cognitivos da clínica médica e seus equívocos. Em resumo trata-se um livro escrito por um médico, para quem não é médico, no intuito de explicar as causas e efeitos dos erros cognitivos que os médicos cometem.

Em determinado momento, o Dr. Groopman fala do que ele chama de "Erro de disponibilidade": na definição do autor, "uma forte tendência a pensar com base em um acontecimento incomum chocante, ocorrido pouco antes, que ganha destaque na mente do médico". Como exemplo, o caso de um médico que se deparou com uma alteração muito comum numa mamografia de uma de suas pacientes, que no entanto, não se encontrava lá no último exame. Decidido, o médico entendeu que, a revelia da ansiedade que isso certamente causaria em sua paciente, ele deveria pedir uma biópsia; de forma sincera então, explicou que precisava se assegurar de que tudo estava normal. A surpresa foi o resultado que detectou um câncer extremamente agressivo e raro.
Diante do quadro, o dilema: Se o caso for apresentado haverá fila de mulheres para fazer biópsia do que quase sempre é um achado sem importância. Caso contrário, perderia-se a oportunidade de estudo de um caso importante e que deveria servir de alerta a outros médicos. O Erro de disponibilidade estaria exatamente em passar a pensar todos os achados semelhantes como se fossem um Câncer agressivo e raro. Não pude deixar de fazer uma analogia da situação com várias situações da vida comum, e, (por que não?) com o voo livre.
Que o voo livre, apesar de ser algo absolutamente apaixonante, machuca e mata cruelmente aqueles que se esquecem disso é fato mais do que sabido. O que talvez ainda não tenha sido percebido é que as discussões acerca de segurança pecam pelo tal Erro de disponibilidade. Para ser claro e direto, o que deve ser considerado em termos de política de segurança não são situações excepcionais e raras mas sim, àquelas com as quais convivemos diariamente. O acidente que teve como causa uma conjunção rara de fatores, pela sua prórpia natureza, dificilmente se repetirá. Ao contrário, os pequenos erros que vez ou outra acontecem sem maiores consequências, continuarão a acontecer e de tempos em tempos matarão alguém.
É preciso parar com o raciocínio de excepcionalidades e nos voltarmos ao que é costumeiro e habitual- isso é o que importa.


O caso do piloto que colide com um Disco voador pode esperar um pouquinho para ser analisado - dificilmente alguém vai encontrar outro OVNI pela frente (se bem que alguns pilotos parecem ter sido abduzidos; mas isso é outra história) Em compensação, os vários casos de gente que decola desengatada, outros tantos tomando fechadas perto do relevo, decolando em condições e/ou voando velas acima de suas capacidades, pousando entre fios elétricos para evitar uma caminhada, esses precisam de atenção urgente - são os que se transformam habitualmente em acidentes.

Moral da história: quando escutarmos barulhos de cascos, pensemos em cavalos - deixemos as zebras e mulas sem cabeça para depois.

Em tempo: As fotos publicadas junto ao texto são todas do amigo Hebrom Tebas, piloto, fotógrafo e messenas das diversões da Serra da Moeda; enfim, o cara joga nas onze!

Mais (excelentes) fotos do Hebrom em http://www.flickr.com/photos/hebromtebas/