quinta-feira, 15 de abril de 2010
Futuro do pretérito.
terça-feira, 2 de março de 2010
Clínica da ABP em Castelo - o que eu vi.

Vi um evento em que no mesmo final de semana consegui ouvir o Kurt e o Sivuca falar.
Vi um evento em que o Ary Pradi, da Sol Paragliders, esteve presente durante grande parte do tempo, solícito como sempre, dando uma visão perfeita e muito clara do mercado de Parapentes.
Vi um evento que conta com uma figura única no parapente: O Tuzim. O carisma e a vivência desse cara por si só já me fazem ter a certeza de que o final de semana longe da família valeu a pena.
Vi um evento muito bem conduzido pelo Azeitona, pessoa que parece entender que o dirigente deve ser aquele que, primordialmente, cria mecanismos para que as pessoas cooperem com o máximo que podem.
Vi um evento em que todos os palestrantes se imbuíram daquele entusiasmo típico dos que acreditam no que fazem e falam.
Vi um evento no Espírito Santo, estado pungente que dá exemplos diários para o parapente no Brasil.
Vi e senti um clima de camaradagem muito longe das disputas políticas que muitos imaginam fazer parte de um evento desse porte.
Apesar de eventuais falhas e erros a que todos nós estamos sujeitos quando resolvemos realizar algo pela primeira vez, a Clínica de Pilotos e Instrutores da ABP é a melhor iniciativa para a formação de Pilotos e Instrutores no Brasil e certamente marcará época no futuro como um importante passo no rumo de um esporte mais seguro, íntegro e honesto. Tenho a impressão de que àqueles que participam ou participaram de uma Clínica não ganham somente conhecimento: ganham sobretudo a certeza de que embarcaram no trem da história do parapente no Brasil. É assim que eu me sinto.
E por isso, agradeço.
quinta-feira, 4 de fevereiro de 2010
Verdades e mitos sobre o Voo Livre. Segunda parte.
segunda-feira, 1 de fevereiro de 2010
Os donos da verdade.

sexta-feira, 29 de janeiro de 2010
Fotos do novo Mistral 6
quinta-feira, 28 de janeiro de 2010
Como nasceu o Vou Livre.

quarta-feira, 20 de janeiro de 2010
O Swing Astral 6 - minhas impressões.
O Ari Rosa do ES, também amarradão com o seu Astral 6.
Esse é o Ricardo de Juiz de Fora, mais um apaixonado pelo brinquedo.segunda-feira, 9 de novembro de 2009
Verdades e Mitos sobre o Voo livre. Primeira parte.
Se pendurar num pedaço de pano que fica suspenso por um monte de linhas ao sabor de correntes de ar, certamente é uma atividade de risco. O que as vezes não fica muito claro é que é possível praticar uma atividade de risco com consciência. Gerenciar os riscos. O canto da Sereia é tão forte e convincente que, as vezes, até os próprios pilotos passam a acreditar que são malucos sem nenhum senso de amor ao próprio couro. Ou que devem agir como se fossem. É possível voar de parapente sem se correr risco desnecessários. Para isso é preciso entender que a atividade é inerentemente de riscos.
terça-feira, 4 de agosto de 2009
Fragmentos fugazes.
O céu como um mar revolto. Boa metáfora para esse mundo doido.quinta-feira, 2 de julho de 2009
O Voo Livre e as regras.
Preliminarmente eu mesmo devo, para o bem da sinceridade, admitir que sempre tive muita dificuldade para entender essa, digamos, "ordem anárquica" que impera na cabeça de grande parte das pessoas que voam de asa e parapente. Talvez por eu não ser assim. Imagino que é preciso ao menos um pouco de organização para todas as coisas na vida. Mas diante de um quadro que inicialmente me pareceu absolutamente inexplicável, de ojeriza a qualquer regra por menor que esta fosse, me senti tentado a entender o que acontece na realidade. Gosto mesmo de gente e tento entender as pessoas sempre que possível...me surpreendi ao constatar que entender esses "malucos" não foi tão difícil assim.
Para tentar explicar esse estado de coisas e idéias, é preciso remontar ao início da história da vontade de voar que assola o ser humano desde que ele olhou pro céu pela primeira vez. Leonardo da Vinci, disse que "um homem equipado com asas pode vencer a resistência do ar, conquistar esse elemento e subir apoiado nele"; para o bem de sua integridade física e da Arte em geral, Da Vinci não tentou provar a sua teoria...
O grande patrono do voo planado é o alemão Otto Lilienthal, que ao longo de 15 anos a partir de 1871 realizou diversos voos (aproximadamente 2000). Foi o primeiro registro de algúem que tenha ganhado altura em um voo planado, restando então a conclusão de que o tal Alemão foi o primeiro a se deparar com uma térmica.
Outros tantos malucos, norte americanos, europeus e até um tal de "Padre voador" Brasileiro se mataram ou se machucaram tentado se jogar de barrancos pelo Mundo a fora no intuito de voar como pássaros.
Depois de muita gente quebrada e aproximadamente 200 que perderam a vida em experimentos exóticos, eis que aparecem os Irmãos Wright e o Santos Dumont. Após o famoso Demoisele de Santos Dumont, em questão de poucas décadas o voo deixou de ser esse sonho maluco, e passou a ter a dimensão de transporte público, ganhando então com isso um monte de Regras e burocracias na medida em que o céu foi se enchendo de aviões. Nas precisas palavras de Cláudio de Moura Castro, o voo virou "O Supremo Império do Não pode". Não havia mais lugar para se voar pelo prazer.
Eis que então, passados muitos anos, os malucos reaparecem com suas traquitanas e começam a se dependurar debaiso de trapézios de uma tal "Asa delta". Alguns anos depois, um médico e um açougueiro/poeta (a falta de formação científica de ambos para o voo diz muito) inventam um tal "para wing" que depois vira parapente.
Estava reestabelecido que era possível voar por prazer! Livre de motores e também do "Império do Não pode"
Somos descendentes ideológicos diretos dos "Incríveis homens e suas máquinas voadoras" do século XIX. Não sei se existe espaço para esses romantismos nesse mundo de urgências e "Gestões de qualidade", mas eu devo confessar que gosto de pensar que sim- deve haver espaços para os românticos.
Não se trata de apologia a qualquer tipo de irregularidade: trata-se sim, de entender que o meio em que nós voadores nos metemos, por força do "DNA ideológico", nos faz frutos das maiores maluquices e esquisitices que já foram realizadas em nome do sonho de voar.
terça-feira, 19 de maio de 2009
Sobre pais, filhos e riscos.
quinta-feira, 16 de abril de 2009
Os erros de disponibilidade - sobre médicos, erros e voo livre.

É preciso parar com o raciocínio de excepcionalidades e nos voltarmos ao que é costumeiro e habitual- isso é o que importa.
O caso do piloto que colide com um Disco voador pode esperar um pouquinho para ser analisado - dificilmente alguém vai encontrar outro OVNI pela frente (se bem que alguns pilotos parecem ter sido abduzidos; mas isso é outra história) Em compensação, os vários casos de gente que decola desengatada, outros tantos tomando fechadas perto do relevo, decolando em condições e/ou voando velas acima de suas capacidades, pousando entre fios elétricos para evitar uma caminhada, esses precisam de atenção urgente - são os que se transformam habitualmente em acidentes.
terça-feira, 3 de fevereiro de 2009
A mudança que a gente quer...
Ewa Wisnierska decolando ontem 07/02, no Mundial de Parapente no México. A frase no parapente é "SEJA A MUDANÇA QUE VOCÊ DESEJA VER NO MUNDO".Já escrevi algo sobre isso ou parecido.
No entanto, achei tão legal a foto da Ewa decolando que resolvi escrever de novo.
-Quantos de nós queremos pros outros as mudanças que não conseguimos para nós mesmos?
-Quantos de nós queremos paz no Oriente Médio sem que consigamos ir de casa ao trabalho sem brigar no trânsito?
-Quantos de nós queremos um mundo mais ético, sem que a ética passe a ser coisa imprescindível nas nossas relações?
-Quantos de nós queremos o voo livre mais seguro, mas esquecemos a segurança tão logo a vaidade nos faz o seu chamado?
Dê o seu exemplo!
Seja um que consegue a mudança para si!
Viva em paz - Com você, com os seus queridos, seus amigos, seus colegas de trabalho, seus parceiros de rampa. Esqueça o Oriente Médio!
Só cobre ética dos outros quando você tiver certeza de que você é 100% ético!
Voe com segurança! Vigie a sua vaidade - Não deixe que ela te transforme em mais um maluco desprovido de senso lógico!
De minha parte, prometo me vigiar mais e mais.
segunda-feira, 19 de janeiro de 2009
UM PEQUENO ENSAIO SOBRE O SIMPLES E O FÁCIL. OU DE COMO VOAR É SIMPLES
Tira a vela da mochila, checa as linhas e faz o engate da selete e da vela na selete; vai para a rampa, abre a vela, puxa os tirantes "A" de frente para a vela, que sobe bem certinha até ficar acima do piloto que segura um pouco com os freios o eventual avanço do parapente. Vira de frente e pronto! O cara está voando.
Me desculpem aqueles que acham isso complicado: é, ao contrário, muito simples!
O problema é a eventual incapacidade de alguns para diferenciar o simples do fácil.
O Dr.Aurélio, diz que "Simples" é sinônimo de sem dificuldade ou complexidade e que "fácil" é aquilo que se faz ou consegue sem esforço ou se apreende sem custo.
Digo natural e tranquilamente que para mim, o voo livre é simples (não é complexo); entretanto não seria sincera a afirmativa de que o voo livre é fácil (conseguir sem esforço ou se apreender sem custo).
Como a própria vida, o voo livre nos dá mostras irrefutáveis de que o simples nem sempre é fácil de ser aplicado. As vezes, fazemos do simples algo complexo por absoluta incapacidade de fazer o simples direito.
Vamos aprender a colocar o simples em prática ao invés de tentar torna-lo complexo; e entender, humildemente, que fazer o simples é tudo, menos fácil.
quinta-feira, 23 de outubro de 2008
Melhores vôos de parapentes até DHV 1-2
Sol Ellus 2 créditos: para2000
*193km: FERNANDO PRADI DE ELLUS EM PATÚ-RN
*158,25 km: UROS BERGANT VOANDO DE SWING ARCUS 5 NA SLOVENIA EM 12/05/2008
*180 km:FERNANDO PRADI DE ELLUS EM PATÚ-RN
*170 km: FRANK IHA DE SC DE ELLUS EM PATÚ-RN
*132,07 KM: UROS BERGANT DE SWING ARCUS 5 NA SLOVENIA EM 07/08/2008
*131 km : GEORG FELIX DE ELLUS 1 EM ARAXÁ/MG
*118,29 km: UROS BERGANT DE SWING ARCUS 5 NA SLOVENIA EM 14/05/2008
*112km: MARCOS BATURITÉ DO CE DE NOVA X-ACT EM PATÚ-RN
*111,2 km:VITAL DE SANTA RITA DO SAPUCAÍ VOANDO EM GV DE VIBE DA OZONE
*110 km: FRANK IHA DE ELLUS EM OUTUBRO DE 2003 EM PATÚ-RN
*102 km: BRANCO DE ARAXÁ EM ARAXÁ DE NOVA CARBON
*100 Km: RODRIGO ZATZ DE PRIMUS 2 EM BRASÍLIA EM 2006 (entre março e julho de 2006, o Rodrigo Zatz voou mais de 600 km de Primus 2 em Brasília/DF)
*95,34 km:MARCIA REIS EM ANDRADAS DE OZONE/RUSH
*90 km: LISBOA DE APCO PRESTA DHV 1-2 EM SANTA RITA DO SAPUCAÍ
*89km: RODRIGO ZATZ DE PRIMUS 2 EM BRASÍLIA EM 2006 (entre março e julho de 2006, o Rodrigo Zatz voou mais de 600 km de Primus 2 em Brasília/DF)
*88 km: MEXICANO DE OZONE RUSH 2 EM ANDRADAS
*86 km: LUÍS ALVIM EM PIRACAÍBA, DISTRITO DE ARAGUARI, DE SOL YARIS, DIVISA MG/GO
*85 km: RAFAEL SALADINI DE ARAXÁ EM ARAXÁ DE OZONE VIBE
*83 km: MARCELO POTER DE SOL YARIS L EM EM BRASÍLIA-DF
*82 km: RAFAEL DE SOL YARIS XL EM BRASÍLIA-DF
*80 km: LECO DE JUIZ DE FORA DE ARCUS DA SWING EM GV
*80 km: BRUNO DE ARAXÁ DE NOVA CARBON EM ARAXÁ
*80 km: RICARDO DE NOVA ARTAX EM GV
*75 km: RUY PINTO, DE STARLITE DA APCO (AFNOR NÍVEL 1) EM 1993 EM GV
*74 km: ANDRÉ FLEURY DE APCO FIESTA M EM BRASÍLIA-DF EM 2000
*74 km: MARCIO MELO "MACARRÃO" EM BRASÍLIA/DF NOVEMBRO DE 2006
*70,6 km: MAURICIO DE PIRACICABA DECOLANDO DE TORRINHA EM 02 FEVEREIRO DE 2008
*65 km: ROBERTO DANTAS BOBINA DE SOL YARIS EM BRASÍLIA EM 2003
*64 km: GETÚLIO DE ARAXÁ, EM ARAXÁ DE ELLUS
*63 km: JOE DE ELLUS EM ANDRADAS
*62km :MÁRCIO OHARA DE ELLUS EM SANTA TEREZINHA-BA
*60 Km: DANIEL CUNHA DE ELLUS EM ARAXÁ
*58,2 km: MARCELO PIO DE NOVA MAMBOO EM SANTA RITA DO SAPUCAÍ EM JANEIRO DE 2006
*58 km: MÁRCIO MELO DE ELLUS VOANDO EM BRASÍLIA-DF
*56 Km: CLAYTIM, DECOLANDO DA MOEDA DE ELLUS
*55 Km:HEMAN DE JUIZ DE FORA DE NOVA CARBON EM GV
*54 km: BRUNO DE ARAXÁ DE NOVA CARBON EM ARAXÁ
*54 km: RAFAEL SALADINI VIBE DA OZONE EM ARAXÁ
*50 km: DANIEL CUNHA DE ELLUS EM ARAXÁ
*50 km: RODRIGO FRAJOLA SOL-PRYMUS EM GV
*49,9 km: FERNANDO VILELA DECOLANDO DA MOEDA DE ELLUS 2
*49 km: CEZAR DE ANDRADAS SWING ARCUS EM SANTA RITA DO SAPUCAÍ
*47 km: HERCULES DECOLANDO DA MOEDA DE ELLUS
*45 km: NÔ DE CAMBUÍ ELLUS EM SANTA RITA DO SAPUCAÍ
*45 km MARCO ANTONIO ELLUS EM ARAXÁ
*40 km: LISBOA APCO FIESTA (DHV 1) EM SANTA RITA DO SAPUCAÍ-MG
*40 km: VICTORE FILHO NOVA PHELIX EM QUIXADÁ
*40 km: EDU WEISS ADVANCE/ALPHA 3 (DHV 1) EM SANTA RITA DO SAPUCAÍ
*40 km: JOE "MR. M" ELLUS EM GV
*36,2 km: RODRIGO MONTALVÃO DECOLANDO DA MOEDA DE ELLUS 2 EM 25/10/2008
*35,7 km: LAERCIO "FND" DECOLANDO DA MOEDA DE YARIS
*34 km: EU DE SWING MISTRAL 5 NA MOEDA EM 25/04/2008
*30 Km: EU DE SWING MISTRAL 5 EM GOVERNADOR VALADARES EM 13/03/2009
*30 km: FELIPE MÃOZINHA ELLUS EM CAMBUQUIRA
*30 km: SANDRO BODNER (FALECIDO EM VÔO DE ASA)- EM CURITIBA-PR DE ELLUS M
*26 km: EU DE ELLUS 2 EM LEOPOLDINA EM 08/09/2007
segunda-feira, 15 de setembro de 2008
Os melhores parapentes LTF 1-2 na avaliação dos pilotos.
O Mentor da Nova - melhor vela 1-2 para quase 20 % dos que votaram na enquete
Nova / Mentor
19.4%
Gradient / Golden 2
17,7%
Sky Paragliders / Atis 2
6.8%
Ozone / Rush
6.2%
Niviuk / Hook
6.0%
Advance / Epsilon 5
4.1%
Swing / Mistral 4
4.1%
Gin Gliders / Zulu Explorer
3.8%
Windtech / Zephr
3.4%
Skywalk / Chili
3.2%
Até o momento foram contabilizados 468 votos. O Sol Ellus 2 ocupa a 13ª posição.
Primeiro parapente homologado a ultrapassar os 9.5 de L/D em teste independente.

sexta-feira, 5 de setembro de 2008
Quando a parede vira gato; ou o gato vira parede.
segunda-feira, 18 de agosto de 2008
A construção e a anatomia de um acidente.
Ao contrário do que as vezes possa parecer, não sou dado a crer no improvável e no inevitável. Admito a possibilidade de acontecimentos inexplicáveis, embora seja obrigado a admitir também a minha dificuldade em aceitar fatos taxados como inevitáveis ou inexplicáveis. Estes são na minha opinião, mal conhecidos e por isso, mal explicados.
O acidente do título desse texto não é um acidente qualquer, genérico, apesar de não ter tido grandes consequências. Trata-se na realidade de um acidente em especial. Na verdade, acidente que aconteceu comigo no dia 01/07/2008, minutos após eu decolar da Serra da Moeda para um vôo prego de meio de semana, do qual resultou uma fratura de úmero e lesão de ligamentos (um tal de supra-espinhoso - dói pra caramba), que me proporcionaram tempo para escrever isto que vocês estão pacientemente lendo, e mais ainda para refletir a respeito do tal acidente que inicialmente me pareceu inevitável, inexplicável; um acidente enfim. Afinal, qual a explicação possível e não transcendental pode haver para, após pousar achar um buraco pelo caminho, tropeçar e cair sobre o ombro com as funestas consequências já citadas?
O acidente apesar de ter acontecido no pouso depois de um Vôo prego, começou a ser construído no final de 2007/início de 2008.
O ano de 2007 foi pródigo em bons vôos. Na Serra da Moeda, em Leopoldina, Festivais de vôo, Campeonato Mineiro, foram várias as situações em que eu pude fazer belos vôos.
Um grande paradoxo! Voar muito e bem, me fez querer voar mais e melhor; acabei voando menos e mal como os pacientes amigos verão a seguir.
Meses antes do caso, lembro-me de comentar com alguns colegas de vôo que vinha voando com menos prazer do que o costumeiro. Para ser ainda mais sincero, em algumas ocasiões simplesmente não havia prazer em voar. Não entendia como e porque o vôo livre tinha deixado de ser fonte de plenitude e alegrias.
Só comecei a entender dias depois de me machucar. Em retrospecto, lembrei de vôos pouco antes que salvei em térmicas bicudas e próximas do relevo, pousando aborrecido por não ter ido mais longe, ralado mais baixo ou acelerado mais.
Recordei a displicência em algumas decolagens, e me surpreendi quando entendi que todos os sinais de que algo iria acontecer estavam lá sem que eu me desse conta de que o processo de construção de um acidente já havia chegado em seu final. Fraturei o braço não porque simplesmente pisei num buraco, mas porque voava displicentemente já há muito tempo culminando com um pouso desatento e "mole" que acabou tendo consequências.
A fisioterapeuta e o médico me prometeram que ainda esse ano volto a voar. Eu prometi nunca mais esquecer que devo voar pra mim e não para metas, frutos da presunção que temos de achar que controlamos a vida.
Ao final, não poderia deixar passar trecho de uma carta que recebi da minha mãe, dia 17/06/08 - guardo o original para quem quiser conferir - quatorze dias antes do acidente; na ocasião, ela demonstrava a sua preocupação com os riscos do vôo e narra um sonho que havia tido naquela noite:
"...não sei explicar se fui alertada, se foi sonho ou pesadelo; só sei que no sonho, alguém que não conheço falava vários nomes de automobilistas, alpinistas, pilotos de asa e parapente já mortos, frisando que todos eles haviam sido alertados de que tinham compromissos a serem cumpridos mas preferiram não dar ouvidos. Me recordei de alguma coisa como ser forte não é insistir em desafios, não é ser vaidoso a ponto de colocar a própria existência em segundo plano, mas ser grande em admitir a hora de parar, valorizando a vida e levando adiante um compromisso..."
Talvez tenha sido um mal menor. Talvez o inexplicável esteja mais presente em nossas vidas do que imaginamos.
segunda-feira, 7 de julho de 2008
Os currículos ocultos no aprendizado de vôo livre.

Primeiramente é preciso reiterar que o texto a seguir não tem a intenção de nortear procedimentos; é sim, um material que pode e deve ser aproveitado por àqueles que querem praticar uma instrução de parapente melhor e mais efetiva.
Tenho estado durante os últimos 5 anos envolvido no processo de facilitação de aprendizado de adultos. Tenho orgulho de já ter participado da formação de milhares de pessoas e creio, sinceramente, que a educação é saída para grande parte dos males que afligem a vida social atualmente. A estes com quem mais aprendi do que ensinei, eu agradeço imensamente.
Hoje vou me aventurar por uma área na qual meu conhecimento é muito genérico e empírico: a instrução de parapente. Vôo desde maio de 1995 e naturalmente, venho observando como as coisas acontecem no meio. Por outro lado, tenho alguma experiência na formação de adultos que me parece perfeitamente aplicável no vôo livre.
Já em 1902, o pedagogo John Dewey se referia a uma "aprendizagem colateral" que ocorreria simultaneamente ao currículo explícito. A esse processo posteriormente foi dado o nome de currículo oculto. Quando se fala em Currículo Oculto, obrigatoriamente nos referimos ao ambiente de aprendizado como transmissor de uma ideologia não explicitada nos programas.
O caso é que nem sempre o conteúdo explícito em todas as áreas(o currículo propriamente dito) é a única nem a mais importante referência no processo de aprendizado.
O currículo oculto corresponderia ao funcionamento normal das escolas; o que há de mais evidente comum e tradicional: aquilo que já se tornou tão familiar que já não nos chama mais a atenção. Os principais transmissores do currículo oculto são aqueles que intervêm no aprendizado como os Monitores e pares de aprendizado, mas principalmente os instrutores.
Un instrutor que é justo, honesto, assíduo e pontual, que não se acha o único nem o mais importante ensina por si, só por ser assim.
Aquele que é capaz de "desistir" de uma aula previamente preparada em prol de uma conversa, esse ensina duas vezes.
O que não tem medo de se expor como pessoa pode ensinar mais do que mil livros e milhões de teorias.
Aquele que não admite elitismos tolos, frases racistas, diferenças de gênero e é capaz de explicar sua posição, esse vale por um tratado inteiro de pedagogia.
Ao contrário, o que chega sempre em cima da hora, que atende o celular durante as aulas, que tem tiradas cínicas (essas sempre facilmente identificadas pelos alunos, creiam), que nunca está disponível fora do horário previamente definido, que fala daquilo que não acredita e acaba por demonstrar isso nas suas práticas, este desensina mais do que ensina.
Alguma ligação com o ensino de parapente?
O Instrutor que vende equipamentos inadequados para um aluno, ou que se acha o maior portal de sabedoria do universo, assim como aqueles que vivem pregando uma coisa e fazendo outra mesmo que seja nas sutilezas das tiradas cínicas, os que nunca têm tempo para os alunos pois vivem muito ocupados na rampa para um papo com os preás, estes contribuem muito para a formação do currículo oculto.
Àqueles que falam de segurança exaustivamente, mas banalizam a morte de um companheiro de esporte, saibam que estão perdendo tempo. A postura oculta nesse caso "ensina" muito mais que a retórica e a técnica.
A prática de formação de conhecimento é algo muito sério em todos os campos. Mais ainda em uma seara onde a integridade física das pessoas dependem daquilo que é retido no processo de aprendizado como o vôo livre. Existe uma diferença entre o que é ensinado e o que é retido - é a isso exatamente que se refere o currículo oculto.
Abramos os nossos olhos de ver, para que um dia a nossa consciência não nos cobre um preço demasiado alto...
-Referências ao texto " O (meu) currículo oculto" de Carmo Cruz, Professora do Departamento de Pedagogia da Universidade de Lisboa.



