segunda-feira, 9 de novembro de 2009

Verdades e Mitos sobre o Voo livre. Primeira parte.

"VOO LIVRE É UM ESPORTE ARRISCADO" - VERDADE.
Se pendurar num pedaço de pano que fica suspenso por um monte de linhas ao sabor de correntes de ar, certamente é uma atividade de risco. O que as vezes não fica muito claro é que é possível praticar uma atividade de risco com consciência. Gerenciar os riscos. O canto da Sereia é tão forte e convincente que, as vezes, até os próprios pilotos passam a acreditar que são malucos sem nenhum senso de amor ao próprio couro. Ou que devem agir como se fossem. É possível voar de parapente sem se correr risco desnecessários. Para isso é preciso entender que a atividade é inerentemente de riscos.
"VOO LIVRE É UM ESPORTE DEMOCRÁTICO" - MITO.
Um dos mitos mais comuns em que muita gente (inclusive eu) acredita ou acreditou. Voar é, ao contrário, um esporte extremante seletivo. A aptidão para ser piloto de parapente é tão clara como a inaptidão de alguns. Tentar tornar apto aquele que não tem aptidão é um erro que normalmente redunda em risco de vida. Para esses (que tem vontade mas não tem aptidão), existe o voo duplo. Criar a habilidade para pilotar naqueles que já tem aptidão ou avisar ao candidato a futuro piloto que a brincadeira não é para ele - esse é o papel de um bom instrutor.
"VOO LIVRE É UM ESPORTE AMADOR" - MITO.
A estrutura do voo livre hoje é de um esporte profissional. Há centenas de pessoas vivendo do voo livre no Brasil, muitos realizando tarefas com extrema competência. Há que se entender no entanto que a raiz do voo livre é fincada em terras férteis ao empirismo. É preciso não confundir uma atividade profissional com uma atividade que seja alvo de estudos e que deixe, por isso, de ser empírica. O que falta ao voo livre não é profissionalismo: é estudo e método. Organização enfim.
"VOO LIVRE É UM ZOOLÓGICO" - VERDADE.
Provavelmente nenhum outro esporte tem a capacidade de juntar tanta gente diferente em um mesmo lugar com um único objetivo. Desde que haja aptidão e paixão pela brincadeira, pessoas das mais diferentes idades, etnias, classes, gêneros, índoles, temperamentos, crenças e experiências convivem bem.
"VOO LIVRE É COISA DE GENTE DOIDA" - VERDADE.
Dizem que louco é qualquer ser vivo que pisca. Ou ainda aquele que não tem comportamento ditado pelo que a maioria julga razoável. Nesse sentido, somos todos loucos por termos optado pelo indescritível prazer de voar sozinhos e sem motor por horas pendurados por aquele monte de linhas fininhas. Pobre do bicho homem que se imagina feliz e pleno se enquadrando na "normalidade".

terça-feira, 4 de agosto de 2009

Fragmentos fugazes.

O céu como um mar revolto. Boa metáfora para esse mundo doido.


As vezes, o Mundo é pouco amistoso com quem deseja dar prioridade a valores que não os materiais. É difícil não deixar que o materialismo, que assola tal qual uma Pandemia a humanidade, também nos contagie e nos faça mais uma alma moribunda. Quase tudo conspira a favor do culto ao Ter. A vaidade é celebrada como se fosse uma virtude. Em nome de ser superior e mais poderoso do que o outro, abrimos mão da serenidade e do prazer de viver.


Antídoto contra o materialismo não há - ou eu penso que não. Noto porém, que todas as vezes que a vida se torna pouco simples é quase certo que tenhamos nos esquecido de um troço que minha mãe e pai chamavam de Princípios. Os alicerces morais da vida. O que mesmo que saibamos ser muito raro e as vezes até doloroso desenvolver, fazemos questão de também falar aos nossos filhos. Simplesmente porque (talvez) lá no fundo saibamos que é a única coisa que pode dar um coração sereno.


Somos efeito de nossas escolhas e ações na vida. Para o bem e para o mal. Pedagogicamente, vemos em nós mesmos as consequências das bobagens que fazemos.

As cagadas (que me perdoem o primeiro palavrão em quase dois anos de blog) só não ensinam mais do que a capacidade infinita que temos de nos reeguer na vida. Cair e levantar é a regra natural para seres errantes como todos nós. Mais sublime e humano do que o soerguimento não há.


E o que eu quero dizer com tudo isso? Simplesmente que me nego ao compromisso com as minhas imperfeições.

quinta-feira, 2 de julho de 2009

O Voo Livre e as regras.




A discussão que ultimamente vem tomando conta da Lista Br e das rampas é a respeito do uso indevido de espaço aéreo. Para quem ainda não se inteirou, tudo começou com as congratulações públicas a certo piloto que teria realizado um (bom) voo - no entanto o voador teria invadido espaço aéreo restrito para tal. Surgiram os que defendem o piloto e a natureza "Livre" do voo e outros tantos, que racionalmente, defendem a obediência a uma regra primordial e inquestionável de conduta aérea.

Preliminarmente eu mesmo devo, para o bem da sinceridade, admitir que sempre tive muita dificuldade para entender essa, digamos, "ordem anárquica" que impera na cabeça de grande parte das pessoas que voam de asa e parapente. Talvez por eu não ser assim. Imagino que é preciso ao menos um pouco de organização para todas as coisas na vida. Mas diante de um quadro que inicialmente me pareceu absolutamente inexplicável, de ojeriza a qualquer regra por menor que esta fosse, me senti tentado a entender o que acontece na realidade. Gosto mesmo de gente e tento entender as pessoas sempre que possível...me surpreendi ao constatar que entender esses "malucos" não foi tão difícil assim.

Para tentar explicar esse estado de coisas e idéias, é preciso remontar ao início da história da vontade de voar que assola o ser humano desde que ele olhou pro céu pela primeira vez. Leonardo da Vinci, disse que "um homem equipado com asas pode vencer a resistência do ar, conquistar esse elemento e subir apoiado nele"; para o bem de sua integridade física e da Arte em geral, Da Vinci não tentou provar a sua teoria...
O grande patrono do voo planado é o alemão Otto Lilienthal, que ao longo de 15 anos a partir de 1871 realizou diversos voos (aproximadamente 2000). Foi o primeiro registro de algúem que tenha ganhado altura em um voo planado, restando então a conclusão de que o tal Alemão foi o primeiro a se deparar com uma térmica.
Outros tantos malucos, norte americanos, europeus e até um tal de "Padre voador" Brasileiro se mataram ou se machucaram tentado se jogar de barrancos pelo Mundo a fora no intuito de voar como pássaros.

Depois de muita gente quebrada e aproximadamente 200 que perderam a vida em experimentos exóticos, eis que aparecem os Irmãos Wright e o Santos Dumont. Após o famoso Demoisele de Santos Dumont, em questão de poucas décadas o voo deixou de ser esse sonho maluco, e passou a ter a dimensão de transporte público, ganhando então com isso um monte de Regras e burocracias na medida em que o céu foi se enchendo de aviões. Nas precisas palavras de Cláudio de Moura Castro, o voo virou "O Supremo Império do Não pode". Não havia mais lugar para se voar pelo prazer.

Eis que então, passados muitos anos, os malucos reaparecem com suas traquitanas e começam a se dependurar debaiso de trapézios de uma tal "Asa delta". Alguns anos depois, um médico e um açougueiro/poeta (a falta de formação científica de ambos para o voo diz muito) inventam um tal "para wing" que depois vira parapente.
Estava reestabelecido que era possível voar por prazer! Livre de motores e também do "Império do Não pode"

Somos descendentes ideológicos diretos dos "Incríveis homens e suas máquinas voadoras" do século XIX. Não sei se existe espaço para esses romantismos nesse mundo de urgências e "Gestões de qualidade", mas eu devo confessar que gosto de pensar que sim- deve haver espaços para os românticos.
Não se trata de apologia a qualquer tipo de irregularidade: trata-se sim, de entender que o meio em que nós voadores nos metemos, por força do "DNA ideológico", nos faz frutos das maiores maluquices e esquisitices que já foram realizadas em nome do sonho de voar.




*Referências explícitas ao "MEIO SÉCULO NO LIMIAR DO PERIGO - Memórias de um aventureiro amador", de Claúdio de Moura Castro, um dos melhores e incrivelmente pouco conhecido livro já escrito a respeito de voo livre.

terça-feira, 19 de maio de 2009

Sobre pais, filhos e riscos.

Foto: Anne Geddes

Dia desses, numa corrida despretensiosa por notícias na internet achei uma (infelizmente não sei onde), de um pai que tirava um retrato por dia do filho desde que esse nasceu. O moleque já devia ter uns 4 ou 5 anos e lá estava um montão de fotos desde que o pirralho ainda era nenenzinho. Fiquei pensando em como isso é meio louco e surreal... Quem não gostaria de ter um instantâneo de cada dia de vida dos filhos? Legal né? Pois é. Também achei. O problema talvez seja o fato de que o mais importante é sempre aquilo que não pode ser organizado ou mensurado.
Como por exemplo registrar a emoção que toma conta da gente quando vemos um filho dar os primeiros passos? Se é possível, eu sinceramente nem imagino como. E, quem sabe, foi o medo de perder a lembrança que fez o tal pai retratista tirar uma foto por dia do filho? Todos somos medrosos assim. Eu em particular me declaro um medroso. Tenho medo de não conseguir repetir dentro de mim as sensações e emoções que me varrem vez ou outra. E é verdade também, que corremos sempre esse risco de viver coisas intensas e fugazes na mesma proporção. Ou de não conseguir organizar essas coisas.


Não sei não, mas suponho que a vida é mais sentir do que organizar as coisas. E assim vamos nos transformando em uma outra pessoa sem que a gente note. A ilusão que faz a gente supor que é possível controlar e organizar as emoções as vezes é necessária para continuar vivendo. Mas não deixa de ser uma ilusão ou pretensão bem pouco plausível.


O mundo muda, a gente muda, os filhos crescem, coisas impossíveis e improváveis acontecem. Impossível organizar ou prever tudo isso. Ou não? :-)

quinta-feira, 16 de abril de 2009

Os erros de disponibilidade - sobre médicos, erros e voo livre.


Fotos: Hebrom Tebas



Dentre tantas coisas boas e ruins que li ultimamente, um livro em especial me chamou a atenção: trata-se do "Como os médicos pensam", livro do Dr. Jerome Groopman, Oncologista, hematologista e Professor da Faculdade de Medicina de Harvard. O Dr. Groopman escreveu um livro a respeito dos processos cognitivos da clínica médica e seus equívocos. Em resumo trata-se um livro escrito por um médico, para quem não é médico, no intuito de explicar as causas e efeitos dos erros cognitivos que os médicos cometem.

Em determinado momento, o Dr. Groopman fala do que ele chama de "Erro de disponibilidade": na definição do autor, "uma forte tendência a pensar com base em um acontecimento incomum chocante, ocorrido pouco antes, que ganha destaque na mente do médico". Como exemplo, o caso de um médico que se deparou com uma alteração muito comum numa mamografia de uma de suas pacientes, que no entanto, não se encontrava lá no último exame. Decidido, o médico entendeu que, a revelia da ansiedade que isso certamente causaria em sua paciente, ele deveria pedir uma biópsia; de forma sincera então, explicou que precisava se assegurar de que tudo estava normal. A surpresa foi o resultado que detectou um câncer extremamente agressivo e raro.
Diante do quadro, o dilema: Se o caso for apresentado haverá fila de mulheres para fazer biópsia do que quase sempre é um achado sem importância. Caso contrário, perderia-se a oportunidade de estudo de um caso importante e que deveria servir de alerta a outros médicos. O Erro de disponibilidade estaria exatamente em passar a pensar todos os achados semelhantes como se fossem um Câncer agressivo e raro. Não pude deixar de fazer uma analogia da situação com várias situações da vida comum, e, (por que não?) com o voo livre.
Que o voo livre, apesar de ser algo absolutamente apaixonante, machuca e mata cruelmente aqueles que se esquecem disso é fato mais do que sabido. O que talvez ainda não tenha sido percebido é que as discussões acerca de segurança pecam pelo tal Erro de disponibilidade. Para ser claro e direto, o que deve ser considerado em termos de política de segurança não são situações excepcionais e raras mas sim, àquelas com as quais convivemos diariamente. O acidente que teve como causa uma conjunção rara de fatores, pela sua prórpia natureza, dificilmente se repetirá. Ao contrário, os pequenos erros que vez ou outra acontecem sem maiores consequências, continuarão a acontecer e de tempos em tempos matarão alguém.
É preciso parar com o raciocínio de excepcionalidades e nos voltarmos ao que é costumeiro e habitual- isso é o que importa.


O caso do piloto que colide com um Disco voador pode esperar um pouquinho para ser analisado - dificilmente alguém vai encontrar outro OVNI pela frente (se bem que alguns pilotos parecem ter sido abduzidos; mas isso é outra história) Em compensação, os vários casos de gente que decola desengatada, outros tantos tomando fechadas perto do relevo, decolando em condições e/ou voando velas acima de suas capacidades, pousando entre fios elétricos para evitar uma caminhada, esses precisam de atenção urgente - são os que se transformam habitualmente em acidentes.

Moral da história: quando escutarmos barulhos de cascos, pensemos em cavalos - deixemos as zebras e mulas sem cabeça para depois.

Em tempo: As fotos publicadas junto ao texto são todas do amigo Hebrom Tebas, piloto, fotógrafo e messenas das diversões da Serra da Moeda; enfim, o cara joga nas onze!

Mais (excelentes) fotos do Hebrom em http://www.flickr.com/photos/hebromtebas/

terça-feira, 3 de fevereiro de 2009

A mudança que a gente quer...

Ewa Wisnierska decolando ontem 07/02, no Mundial de Parapente no México. A frase no parapente é "SEJA A MUDANÇA QUE VOCÊ DESEJA VER NO MUNDO".

Já escrevi algo sobre isso ou parecido.
No entanto, achei tão legal a foto da Ewa decolando que resolvi escrever de novo.

-Quantos de nós queremos pros outros as mudanças que não conseguimos para nós mesmos?
-Quantos de nós queremos paz no Oriente Médio sem que consigamos ir de casa ao trabalho sem brigar no trânsito?
-Quantos de nós queremos um mundo mais ético, sem que a ética passe a ser coisa imprescindível nas nossas relações?
-Quantos de nós queremos o voo livre mais seguro, mas esquecemos a segurança tão logo a vaidade nos faz o seu chamado?

Dê o seu exemplo!
Seja um que consegue a mudança para si!
Viva em paz - Com você, com os seus queridos, seus amigos, seus colegas de trabalho, seus parceiros de rampa. Esqueça o Oriente Médio!
Só cobre ética dos outros quando você tiver certeza de que você é 100% ético!
Voe com segurança! Vigie a sua vaidade - Não deixe que ela te transforme em mais um maluco desprovido de senso lógico!

De minha parte, prometo me vigiar mais e mais.

segunda-feira, 19 de janeiro de 2009

UM PEQUENO ENSAIO SOBRE O SIMPLES E O FÁCIL. OU DE COMO VOAR É SIMPLES

Um monte de gente pendurada nas suas traquitanas...
Chega na rampa; condição legal com vento de 15 km bem de frente; ciclos térmicos definidos com alguns pilotos voando e dando as dicas visuais da condição.
Tira a vela da mochila, checa as linhas e faz o engate da selete e da vela na selete; vai para a rampa, abre a vela, puxa os tirantes "A" de frente para a vela, que sobe bem certinha até ficar acima do piloto que segura um pouco com os freios o eventual avanço do parapente. Vira de frente e pronto! O cara está voando.


Me desculpem aqueles que acham isso complicado: é, ao contrário, muito simples!


O problema é a eventual incapacidade de alguns para diferenciar o simples do fácil.
O Dr.Aurélio, diz que "Simples" é sinônimo de sem dificuldade ou complexidade e que "fácil" é aquilo que se faz ou consegue sem esforço ou se apreende sem custo.
Digo natural e tranquilamente que para mim, o voo livre é simples (não é complexo); entretanto não seria sincera a afirmativa de que o voo livre é fácil (conseguir sem esforço ou se apreender sem custo).
Como a própria vida, o voo livre nos dá mostras irrefutáveis de que o simples nem sempre é fácil de ser aplicado. As vezes, fazemos do simples algo complexo por absoluta incapacidade de fazer o simples direito.


Vamos aprender a colocar o simples em prática ao invés de tentar torna-lo complexo; e entender, humildemente, que fazer o simples é tudo, menos fácil.

quinta-feira, 23 de outubro de 2008

Melhores vôos de parapentes até DHV 1-2

Sol Ellus 2 créditos: para2000



Em Maio de 2005, lancei a idéia na lista BR de contabilizarmos os melhores vôos de parapentes até DHV 1-2 no Brasil http://br.groups.yahoo.com/group/parapentebr/message/12576

Polêmicas à parte, restou o registro dos vôos abaixo, como prova inconteste de que é possível fazer excelentes vôos de velas DHV 1 e 1-2. O registro agora está sendo atualizado com mais vôos de parapentes 1 e 1-2 de todas as parte do Brasil e do mundo.



*193km: FERNANDO PRADI DE ELLUS EM PATÚ-RN
*158,25 km: UROS BERGANT VOANDO DE SWING ARCUS 5 NA SLOVENIA EM 12/05/2008
*180 km:FERNANDO PRADI DE ELLUS EM PATÚ-RN
*170 km: FRANK IHA DE SC DE ELLUS EM PATÚ-RN
*132,07 KM: UROS BERGANT DE SWING ARCUS 5 NA SLOVENIA EM 07/08/2008
*131 km : GEORG FELIX DE ELLUS 1 EM ARAXÁ/MG
*118,29 km: UROS BERGANT DE SWING ARCUS 5 NA SLOVENIA EM 14/05/2008
*112km: MARCOS BATURITÉ DO CE DE NOVA X-ACT EM PATÚ-RN
*111,2 km:VITAL DE SANTA RITA DO SAPUCAÍ VOANDO EM GV DE VIBE DA OZONE
*110 km: FRANK IHA DE ELLUS EM OUTUBRO DE 2003 EM PATÚ-RN
*102 km: BRANCO DE ARAXÁ EM ARAXÁ DE NOVA CARBON
*100 Km: RODRIGO ZATZ DE PRIMUS 2 EM BRASÍLIA EM 2006 (entre março e julho de 2006, o Rodrigo Zatz voou mais de 600 km de Primus 2 em Brasília/DF)
*95,34 km:MARCIA REIS EM ANDRADAS DE OZONE/RUSH
*90 km: LISBOA DE APCO PRESTA DHV 1-2 EM SANTA RITA DO SAPUCAÍ
*89km: RODRIGO ZATZ DE PRIMUS 2 EM BRASÍLIA EM 2006 (entre março e julho de 2006, o Rodrigo Zatz voou mais de 600 km de Primus 2 em Brasília/DF)
*88 km: MEXICANO DE OZONE RUSH 2 EM ANDRADAS
*86 km: LUÍS ALVIM EM PIRACAÍBA, DISTRITO DE ARAGUARI, DE SOL YARIS, DIVISA MG/GO
*85 km: RAFAEL SALADINI DE ARAXÁ EM ARAXÁ DE OZONE VIBE
*83 km: MARCELO POTER DE SOL YARIS L EM EM BRASÍLIA-DF
*82 km: RAFAEL DE SOL YARIS XL EM BRASÍLIA-DF
*80 km: LECO DE JUIZ DE FORA DE ARCUS DA SWING EM GV
*80 km: BRUNO DE ARAXÁ DE NOVA CARBON EM ARAXÁ
*80 km: RICARDO DE NOVA ARTAX EM GV
*75 km: RUY PINTO, DE STARLITE DA APCO (AFNOR NÍVEL 1) EM 1993 EM GV
*74 km: ANDRÉ FLEURY DE APCO FIESTA M EM BRASÍLIA-DF EM 2000
*74 km: MARCIO MELO "MACARRÃO" EM BRASÍLIA/DF NOVEMBRO DE 2006
*70,6 km: MAURICIO DE PIRACICABA DECOLANDO DE TORRINHA EM 02 FEVEREIRO DE 2008
*65 km: ROBERTO DANTAS BOBINA DE SOL YARIS EM BRASÍLIA EM 2003
*64 km: GETÚLIO DE ARAXÁ, EM ARAXÁ DE ELLUS
*63 km: JOE DE ELLUS EM ANDRADAS
*62km :MÁRCIO OHARA DE ELLUS EM SANTA TEREZINHA-BA
*60 Km: DANIEL CUNHA DE ELLUS EM ARAXÁ
*58,2 km: MARCELO PIO DE NOVA MAMBOO EM SANTA RITA DO SAPUCAÍ EM JANEIRO DE 2006
*58 km: MÁRCIO MELO DE ELLUS VOANDO EM BRASÍLIA-DF
*56 Km: CLAYTIM, DECOLANDO DA MOEDA DE ELLUS
*55 Km:HEMAN DE JUIZ DE FORA DE NOVA CARBON EM GV
*54 km: BRUNO DE ARAXÁ DE NOVA CARBON EM ARAXÁ
*54 km: RAFAEL SALADINI VIBE DA OZONE EM ARAXÁ
*50 km: DANIEL CUNHA DE ELLUS EM ARAXÁ
*50 km: RODRIGO FRAJOLA SOL-PRYMUS EM GV
*49,9 km: FERNANDO VILELA DECOLANDO DA MOEDA DE ELLUS 2
*49 km: CEZAR DE ANDRADAS SWING ARCUS EM SANTA RITA DO SAPUCAÍ
*47 km: HERCULES DECOLANDO DA MOEDA DE ELLUS
*45 km: NÔ DE CAMBUÍ ELLUS EM SANTA RITA DO SAPUCAÍ
*45 km MARCO ANTONIO ELLUS EM ARAXÁ
*40 km: LISBOA APCO FIESTA (DHV 1) EM SANTA RITA DO SAPUCAÍ-MG
*40 km: VICTORE FILHO NOVA PHELIX EM QUIXADÁ
*40 km: EDU WEISS ADVANCE/ALPHA 3 (DHV 1) EM SANTA RITA DO SAPUCAÍ
*40 km: JOE "MR. M" ELLUS EM GV
*36,2 km: RODRIGO MONTALVÃO DECOLANDO DA MOEDA DE ELLUS 2 EM 25/10/2008
*35,7 km: LAERCIO "FND" DECOLANDO DA MOEDA DE YARIS
*34 km: EU DE SWING MISTRAL 5 NA MOEDA EM 25/04/2008
*30 Km: EU DE SWING MISTRAL 5 EM GOVERNADOR VALADARES EM 13/03/2009
*30 km: FELIPE MÃOZINHA ELLUS EM CAMBUQUIRA
*30 km: SANDRO BODNER (FALECIDO EM VÔO DE ASA)- EM CURITIBA-PR DE ELLUS M
*26 km: EU DE ELLUS 2 EM LEOPOLDINA EM 08/09/2007

segunda-feira, 15 de setembro de 2008

Os melhores parapentes LTF 1-2 na avaliação dos pilotos.

O Mentor da Nova - melhor vela 1-2 para quase 20 % dos que votaram na enquete


Em enquete promovida no paragliding forum http://www.paraglidingforum.com/viewtopic.php?t=16029 os seguintes parapentes foram os 10 mais votados na categoria 1-2 :

Nova / Mentor
19.4%
Gradient / Golden 2
17,7%
Sky Paragliders / Atis 2
6.8%
Ozone / Rush
6.2%
Niviuk / Hook
6.0%
Advance / Epsilon 5
4.1%
Swing / Mistral 4
4.1%
Gin Gliders / Zulu Explorer
3.8%
Windtech / Zephr
3.4%
Skywalk / Chili
3.2%

Até o momento foram contabilizados 468 votos. O Sol Ellus 2 ocupa a 13ª posição.
*Vale lembrar que alguns dos parapentes recém lançados, casos do Sport 4 e do Mistral 5 não constam na enquete por terem sido lançados depois de seu início.

Primeiro parapente homologado a ultrapassar os 9.5 de L/D em teste independente.


O Stratus 7 GS da Swing é o primeiro parapente homologado a ultrapassar os 9.5 de L/D em teste independente realizado pela Revista Gleitschirm Magazine e publicado no site expandingknowledge.com de Jerome Daoust. A vela, lançada no início de 2008, foi também vice-campeã Brasileira 2008 em Belo Horizonte.

O Stratus 7 GS tem velocidade máxima de 54 Km/h de acordo com a fábrica.

Fonte:

sexta-feira, 5 de setembro de 2008

Quando a parede vira gato; ou o gato vira parede.

Nenhum argumento convence quem não se permite ouvir opiniões antagônicas. Quem já formou juízo sobre um assunto, e não se dispõe a ouvir argumentos diferentes dos seus, não mudará de opinião. Assuntos e temas existem, que por despertarem grandes e voluptuosas paixões, dão a necessária abertura para que opiniões fundamentadas em nada sejam emitidas, e estas, travestidas de palavras bonitas, passam como se fossem mais do que são de fato:opiniões ou palpites de curiosos sobre o tema.
Um desses assuntos é a Defesa Social. Num país onde se sofre com a criminalidade violenta e onde em alguns casos, o Estado já não controla o seu território é no mínimo esperado, que àqueles que sofrem as consequências disso queiram ser ouvidos mesmo que aos berros desprovidos de lucidez e equilíbrio, à maneira daquele que vítima de um erro médico, resolve discutir a técnica médica apesar de desprovido de qualquer conhecimento que o habilite para isso - a emoção justifica tal postura, apesar de ser imprescindível que àqueles que a testemunham sejam equilibrados no ouvir.
A bola da vez no momento é o trânsito. Depois de décadas a fio tratado como assunto menor no contexto da Segurança Pública, parece que finalmente o trânsito passou a merecer a atenção da sociedade e suas Autoridades. São aproximadamente 7.000 mortes por ano somente em Rodovias Federais. Um prejuízo social imenso e inquestionável. Como se 35 aviões com 200 passageiros cada, caíssem a cada ano sem nenhum sobrevivente. Na esteira da importância do tema, surgem, como seria natural esperar, os aproveitadores e os "emocionados"; os primeiros dos quais fazem parte alguns dos políticos que citam o trânsito como plataforma de campanha, são em sua maioria aproveitadores que nada acrescentarão. Os segundos, em que pese o desconhecimento técnico, ajudam a despertar o interesse para o tema.
E onde, nesse contexto, se encaixa a técnica, a ciência e o estudo daqueles que, de forma séria e nutrida de conhecimentos tentam soluções para problemas complexos que envolvem desde a falta de educação de boa qualidade até a formação Social privilegiadora do "jeitinho brasileiro" ?
A resposta a essa pergunta, na minha opinião, é que a técnica e o profissionalismo ficam relegados a um plano coadjuvante, como se o fato de haverem "aproveitadores e emocionados" aos borbulhões sendo atentamente ouvidos, tirassem a legitimidade do profissionalismo. Continuamos a ouvir atentamente a velha ladainha de relativização das punições administrativas, acompanhadas sempre de outros amadores, curiosos e palpiteiros que se insurgem contra toda e qualquer iniciativa de modificar o contexto, baseados sempre na sofismática conclusão de que toda iniciativa para a mudança é mais uma a incrementar a "indústria de multas". "A parede é branca; o gato é branco; logo, a parede é um gato".
Neste pequeno espaço, declaro que mesmo à revelia dos "emocionados e dos aproveitadores" existem sim, iniciativas de mudança honestas e profissionais em curso. Feliz ou Infelizmente, estas não prescindem do cumprimento da Lei.

segunda-feira, 18 de agosto de 2008

A construção e a anatomia de um acidente.

Eu, decolando da Moeda, em 01/07/08 minutos antes de fraturar o úmero e lesionar um tendão...

Ao contrário do que as vezes possa parecer, não sou dado a crer no improvável e no inevitável. Admito a possibilidade de acontecimentos inexplicáveis, embora seja obrigado a admitir também a minha dificuldade em aceitar fatos taxados como inevitáveis ou inexplicáveis. Estes são na minha opinião, mal conhecidos e por isso, mal explicados.
O acidente do título desse texto não é um acidente qualquer, genérico, apesar de não ter tido grandes consequências. Trata-se na realidade de um acidente em especial. Na verdade, acidente que aconteceu comigo no dia 01/07/2008, minutos após eu decolar da Serra da Moeda para um vôo prego de meio de semana, do qual resultou uma fratura de úmero e lesão de ligamentos (um tal de supra-espinhoso - dói pra caramba), que me proporcionaram tempo para escrever isto que vocês estão pacientemente lendo, e mais ainda para refletir a respeito do tal acidente que inicialmente me pareceu inevitável, inexplicável; um acidente enfim. Afinal, qual a explicação possível e não transcendental pode haver para, após pousar achar um buraco pelo caminho, tropeçar e cair sobre o ombro com as funestas consequências já citadas?
O acidente apesar de ter acontecido no pouso depois de um Vôo prego, começou a ser construído no final de 2007/início de 2008.
O ano de 2007 foi pródigo em bons vôos. Na Serra da Moeda, em Leopoldina, Festivais de vôo, Campeonato Mineiro, foram várias as situações em que eu pude fazer belos vôos.
2007 foi, provavelmente, o ano em que mais voei na minha vida.
Resolvi então me planejar para que em 2008 eu voasse ainda mais e melhor. Troquei o parapente, marquei férias para a temporada de vôo (quem não tem filhos não imagina como é difícil marcar férias fora da tríade Julho-Dezembro-Janeiro), resolvi aumentar a minha frequência de vôos. Esqueci-me porém, de considerar o mais importante: o prazer em voar livre de planejamentos, metas e as consequentes frustrações.
Um grande paradoxo! Voar muito e bem, me fez querer voar mais e melhor; acabei voando menos e mal como os pacientes amigos verão a seguir.
Meses antes do caso, lembro-me de comentar com alguns colegas de vôo que vinha voando com menos prazer do que o costumeiro. Para ser ainda mais sincero, em algumas ocasiões simplesmente não havia prazer em voar. Não entendia como e porque o vôo livre tinha deixado de ser fonte de plenitude e alegrias.
Só comecei a entender dias depois de me machucar. Em retrospecto, lembrei de vôos pouco antes que salvei em térmicas bicudas e próximas do relevo, pousando aborrecido por não ter ido mais longe, ralado mais baixo ou acelerado mais.
Recordei a displicência em algumas decolagens, e me surpreendi quando entendi que todos os sinais de que algo iria acontecer estavam lá sem que eu me desse conta de que o processo de construção de um acidente já havia chegado em seu final. Fraturei o braço não porque simplesmente pisei num buraco, mas porque voava displicentemente já há muito tempo culminando com um pouso desatento e "mole" que acabou tendo consequências.
A fisioterapeuta e o médico me prometeram que ainda esse ano volto a voar. Eu prometi nunca mais esquecer que devo voar pra mim e não para metas, frutos da presunção que temos de achar que controlamos a vida.
Ao final, não poderia deixar passar trecho de uma carta que recebi da minha mãe, dia 17/06/08 - guardo o original para quem quiser conferir - quatorze dias antes do acidente; na ocasião, ela demonstrava a sua preocupação com os riscos do vôo e narra um sonho que havia tido naquela noite:

"...não sei explicar se fui alertada, se foi sonho ou pesadelo; só sei que no sonho, alguém que não conheço falava vários nomes de automobilistas, alpinistas, pilotos de asa e parapente já mortos, frisando que todos eles haviam sido alertados de que tinham compromissos a serem cumpridos mas preferiram não dar ouvidos. Me recordei de alguma coisa como ser forte não é insistir em desafios, não é ser vaidoso a ponto de colocar a própria existência em segundo plano, mas ser grande em admitir a hora de parar, valorizando a vida e levando adiante um compromisso..."

Talvez tenha sido um mal menor. Talvez o inexplicável esteja mais presente em nossas vidas do que imaginamos.

segunda-feira, 7 de julho de 2008

Os currículos ocultos no aprendizado de vôo livre.


Primeiramente é preciso reiterar que o texto a seguir não tem a intenção de nortear procedimentos; é sim, um material que pode e deve ser aproveitado por àqueles que querem praticar uma instrução de parapente melhor e mais efetiva.
Tenho estado durante os últimos 5 anos envolvido no processo de facilitação de aprendizado de adultos. Tenho orgulho de já ter participado da formação de milhares de pessoas e creio, sinceramente, que a educação é saída para grande parte dos males que afligem a vida social atualmente. A estes com quem mais aprendi do que ensinei, eu agradeço imensamente.
Hoje vou me aventurar por uma área na qual meu conhecimento é muito genérico e empírico: a instrução de parapente. Vôo desde maio de 1995 e naturalmente, venho observando como as coisas acontecem no meio. Por outro lado, tenho alguma experiência na formação de adultos que me parece perfeitamente aplicável no vôo livre.
Já em 1902, o pedagogo John Dewey se referia a uma "aprendizagem colateral" que ocorreria simultaneamente ao currículo explícito. A esse processo posteriormente foi dado o nome de currículo oculto. Quando se fala em Currículo Oculto, obrigatoriamente nos referimos ao ambiente de aprendizado como transmissor de uma ideologia não explicitada nos programas.
O caso é que nem sempre o conteúdo explícito em todas as áreas(o currículo propriamente dito) é a única nem a mais importante referência no processo de aprendizado.
O currículo oculto corresponderia ao funcionamento normal das escolas; o que há de mais evidente comum e tradicional: aquilo que já se tornou tão familiar que já não nos chama mais a atenção. Os principais transmissores do currículo oculto são aqueles que intervêm no aprendizado como os Monitores e pares de aprendizado, mas principalmente os instrutores.
Un instrutor que é justo, honesto, assíduo e pontual, que não se acha o único nem o mais importante ensina por si, só por ser assim.
Aquele que é capaz de "desistir" de uma aula previamente preparada em prol de uma conversa, esse ensina duas vezes.
O que não tem medo de se expor como pessoa pode ensinar mais do que mil livros e milhões de teorias.
Aquele que não admite elitismos tolos, frases racistas, diferenças de gênero e é capaz de explicar sua posição, esse vale por um tratado inteiro de pedagogia.
Ao contrário, o que chega sempre em cima da hora, que atende o celular durante as aulas, que tem tiradas cínicas (essas sempre facilmente identificadas pelos alunos, creiam), que nunca está disponível fora do horário previamente definido, que fala daquilo que não acredita e acaba por demonstrar isso nas suas práticas, este desensina mais do que ensina.
Alguma ligação com o ensino de parapente?
O Instrutor que vende equipamentos inadequados para um aluno, ou que se acha o maior portal de sabedoria do universo, assim como aqueles que vivem pregando uma coisa e fazendo outra mesmo que seja nas sutilezas das tiradas cínicas, os que nunca têm tempo para os alunos pois vivem muito ocupados na rampa para um papo com os preás, estes contribuem muito para a formação do currículo oculto.
Àqueles que falam de segurança exaustivamente, mas banalizam a morte de um companheiro de esporte, saibam que estão perdendo tempo. A postura oculta nesse caso "ensina" muito mais que a retórica e a técnica.
A prática de formação de conhecimento é algo muito sério em todos os campos. Mais ainda em uma seara onde a integridade física das pessoas dependem daquilo que é retido no processo de aprendizado como o vôo livre. Existe uma diferença entre o que é ensinado e o que é retido - é a isso exatamente que se refere o currículo oculto.
Abramos os nossos olhos de ver, para que um dia a nossa consciência não nos cobre um preço demasiado alto...

-Referências ao texto " O (meu) currículo oculto" de Carmo Cruz, Professora do Departamento de Pedagogia da Universidade de Lisboa.

terça-feira, 20 de maio de 2008

A ciência, o inexplicável e a mistificação.

Santa Rita do Sapucaí metade iluminada e metade já na sombra da tarde. Maio de 2004.

No século XVII viveu o filósofo Kant, que dentre outras coisas propôs o chamado paradigma científico Kantiano : "o que não é provado não existe". Na ocasião a ciência ganhou muito em qualidade e em credibilidade em razão dessa proposição, que fez com que, paulatinamente, a influência obscurantista da religião se fizesse cada vez menos importante no trato científico. Me lembro de um filme do grupo humorístico inglês Monty Python (acho que era "Em busca do cálice sagrado") em que numa das esquetes, um sacerdote na idade média conclui que uma mulher era uma bruxa porque não era um pato...e assim a coitada acabou queimada, num exemplo muito bem humorado de como as conclusões se faziam antes do paradigma de Kant.

Passados quase 400 anos da proposição de Kant, no entanto, nos deparamos com novas situações que acabam por nos colocar diante de um novo dilema.

A física, após a Teoria da Relatividade, a medicina diante de fenômenos ditos psicossomáticos, a parapsicologia deparando-se com fenômenos que dentre outras coisas esbarram na pré e pós existência da essência do ser humano (para quem se interessar pelo assunto fica a dica: procurem referências sobre o experimento Scholle), dentre tantos outros exemplos, demonstram diariamente que, as vezes, o que não é provado existe sim, e faz uma enorme diferença na nossa vida.

Faz-se necessário que passemos a considerar realidades mais sutis como essas que citei para que evitemos uma nova era obscurantista, desta vez causada pela luta entre ceticismo e mistificação. Explico: vez ou outra me assusto com pessoas que, com um razoável grau de conhecimento acadêmico, aparecem com conversas a respeito de abduções alienígenas, reencarnações em Marte e toda sorte de bobagens. Fico com a impressão de que, inconscientemente, essas pessoas se deram conta de que a ciência não vem conseguindo explicar nada daquilo que importa em suas vidas; da falta de credibilidade na ciência para essas colocações absolutamente desprovidas de qualquer senso lógico, me parece uma distância muito pequena...
Importa que em uma nova era que já começamos a vivenciar, consigamos tratar das coisas sutis de forma a não excluí-las das possibilidades lógicas sob pena de continuarmos a alimentar bobagens que desmoralizam e trazem a descrença.


Por outro lado surgem os céticos, que insistem em considerar o paradigma Kantiano como uma verdade absoluta - outra grande bobagem que ao final, só acaba por tornar cada vez maior a "guerra" entre os "esotéricos" e os céticos.
Temo que vivenciemos uma nova era obscurantista se não assumirmos que o paradigma Kantiano já deu o que tinha que dar. Admitir que o improvável também é uma realidade muito palpável em nossas experiências na vida é o primeiro e mais importante passo para que consigamos eliminar os dois grandes males desse início de milênio: O "esoterismo-bobagem" e o "ceticismo-cabeçudo".
Pronto; falei... :-D

segunda-feira, 12 de maio de 2008

Medo

Você tem medo de quê?
Nego-me a me submeter ao medo que tira a alegria de minha liberdade, que não me deixa arriscar nada, que me torna pequeno e mesquinho, que me amarra, que não me deixa ser direto e franco, que me persegue, que ocupa negativamente minha imaginação, que sempre pinta visões sombrias.
No entanto não quero levantar barricadas por medo do medo. Eu quero viver, e não quero encerrar-me. Não quero ser amigável por ter medo de ser sincero. Quero pisar firme porque estou seguro e não por encobrir meu medo.
E, quando me calo, quero fazê-lo por amor e não por temer as conseqüências de minhas palavras.
Não quero acreditar em algo só pelo medo de não acreditar. Não quero filosofar por medo que algo possa atingir-me de perto. Não quero dobrar-me, só porque não tenho medo de ser amável. Não quero impor algo aos outros pelo medo de que possam impor algo a mim; por medo de errar, não quero tornar-me inativo. Não quero fugir de volta para o velho, o inaceitável, por medo de não me sentir seguro de novo.
Não quero fazer-me de importante porque tenho medo de que senão poderia ser ignorado.
Por convicção e amor, quero fazer o que faço e deixar de fazer o que deixo de fazer.
Do medo quero arrancar o domínio e dá-lo ao amor. E quero crer no reino que existe em mim.
(Rudolf Steiner)
Texto enviado pelo amigo Ornelas, a quem eu agradeço a gentileza.

terça-feira, 6 de maio de 2008

A vingança, a justiça, o perdão e o esquecimento.



“O perdão dado a si mesmo lava a alma, purificando-a da vergonha e da culpa. Do perdão a si mesmo brota a força de perdoar aos outros”.

Parece bem possível que num primeiro momento se consiga separar com base nas afinidades, as coisas assim: Vingança-justiça e perdão-esquecimento.
Quando pensamos em um crime bárbaro ou uma situação aviltante, muitas vezes a idéia de vingança se confunde com a de justiça; não vá dizer que você, um dos meus poucos e pacientes leitores, ao se deparar com a notícia de um crime bárbaro pensa na prisão de seu autor como uma forma do Estado tutelar aquele cidadão até que ele tenha novamente condições de viver em sociedade né?
Na verdade, o que nos ocorre é que simplesmente a criatura deveria apodrecer na cadeia (ou coisa mais contundente); não como forma de justiça e sim, como forma de vingar-se numa espécie de exorcismo daquilo que nós seres humanos não queremos ver em nós mesmos. Para conseguirmos diferenciar de forma prática a vingança da justiça, importa que primeiro nos reconheçamos humanos, com todas as nuances próprias da raça. A vingança é instrumento próprio daqueles que ainda não conseguiram se livrar dos seus próprios fantasmas. A justiça como a concebemos, é simplesmente uma forma de controle social. É preciso que as duas não andem juntas; e é imprescindível que não seja dada a justiça a responsabilidade de resolver e/ou solucionar os problemas e males humanos.
O perdão é sentimento pleno e traz consigo a constatação de que o indivíduo, antes de qualquer outra coisa, se reconheceu como ser falível; deixou de ser um carrasco de si mesmo. Quando nós somos os nossos próprios carrascos não há como esperar que sejamos coisa melhor para os outros.
O perdão não está ligado a ofensa ou mal feito ao indivíduo; tem sim um liame inquebrantável com a capacidade de reconhecer que todo mal ou ofensa, só é mal ou ofensa a depender do que consideramos maléfico ou ofensivo. Para ser mais claro, o perdão está ligado diretamente a capacidade íntima de cada um de nós de relevar àquilo que não consideramos certo, partindo do princípio de que nem sempre a nossa verdade é mais verdadeira do que qualquer outra. O perdão (este sim ao contrário da justiça), tem a capacidade de modificar a realidade e transformar a vida, sobretudo de quem adquire a capacidade de perdoar.
O esquecimento, ao contrário do que muitos imaginam, é fenômeno de memória e não tem nenhum vínculo direto com o perdão. É possível perdoar sem esquecer.
“Eu não consigo esquecer quando me prejudicam” e outras constatações semelhantes servem de subterfúgio para não se dar ao trabalho de exercitar a difícil arte de perdoar. A memória é atributo físico e, mesmo que se tente, não será suprimida de modo algum. Qualquer experiência marcante na nossa vida não é e nem poderia ser esquecida facilmente; constatação que, naturalmente, não impede que perdoemos.
Ah!!! Já ia me esquecendo; às vezes perdoar é muuuuiiiiiiiito difícil; se você não conseguir, perdoe-se...

quinta-feira, 17 de abril de 2008

O abismo de nossa ignorância


“O saber é uma tênue miragem, que o viajante nunca chega a alcançar, e de cuja presença só toma conhecimento ao fim da estafante jornada.
O abismo de nossa ignorância não se abre aos nossos olhos, senão depois de adquirirmos um bom cabedal de conhecimentos.
O homem que nada sabe acredita que nada há a saber, e julga-se, por isso, onisciente; impossível pois, dissipar-lhe essa ilusão”.

Ao ler o texto do Sivuca (a quem eu não tenho privilégio de conhecer pessoalmente; fato que evidentemente não impede que eu seja admirador de seus textos) “Tenras idades, tenros ossos”, não pude deixar de me lembrar de quando, aos 20 anos, fiz o meu primeiro vôo de parapente. Poucos conhecimentos eu tinha e achava que os detinha em grande quantidade.
Hoje sei o quão grande é minha ignorância em matéria de vôo livre e porque não, em matéria de viver. Vejo um monte de gente que, como eu há alguns anos atrás, acha que detém muito conhecimento. Longe de mim querer aconselha-los; ao contrário, acho sim que cada um de nós tem um caminho único a trilhar na vida e todos os erros e acertos são parte indelével de nossa programação nesse planetinha ainda azul.
De toda forma, não me sentiria bem em não alertar aos novos (de idade e, sobretudo de esporte): cuidado quando acharem que estão sabendo muito – justamente aí é que provavelmente você terá uma oportunidade, talvez única, de aprender. Para o bem de sua integridade física.

sexta-feira, 28 de março de 2008

"Viver é negócio muito perigoso..." - Fragmentos do grande João Guimarães Rosa e uns retratinhos legais...

"De cada vivimento real que eu tive, de alegria forte ou pesar, cada vez daquela hoje vejo que eu era como se fosse diferente pessoa. Assim eu acho, assim é que eu conto..."

"Tem horas antigas que ficaram muito mais perto da gente do que outras, de recente data. O senhor mesmo sabe..."

"O que vale, são outras coisas. A lembrança da vida da gente se guarda em trechos diversos, cada um com seu signo e sentimento, uns com os outros acho que nem se misturam..."

"Contar é muito , muito, dificultoso. Não pelos anos que se já passaram. Mas pela astúcia que têm certas coisas passadas - de fazer balancê, de se remexerem dos lugares. O que eu falei foi exato? Foi. Mas teria sido? Agora, acho que nem não. São tantas horas de pessoas, tantas coisas em tantos tempos, tudo miúdo recruzado..."

"A brandura de botar para se esquecer uma porção de coisas - as bestas coisas em que a gente no fazer e no nem pensar vive preso, só por precisão, mas sem fidalguia"

segunda-feira, 24 de março de 2008

O Swing Mistral 5 - Minhas impressões


Foto: Swing


Na última Sexta 21, fiz meus primeiros vôos com a minha nova vela - um Swing Mistral 5 (LTF 1-2 EN B). Foram aproximadamente 1 hora e meia voando; primeiro em condições termais fortes, depois um pouco mais fracas;por fim, um lift de fim de tarde.
Em que pese o fato de eu não me sentir apto a dar um parecer técnico acerca do parapente, sinto-me bastante a vontade em falar das minhas impressões usando como parâmetro outros parapentes em que já voei. A propósito, acho que se esse hábito fosse adotado por todos os pilotos que trocassem a asa, acrescentaria-se muito em termos de cultura esportiva e técnica a comunidade do vôo livre em geral. Talvez as pessoas evitem fazer uma colocação elogiosa ou uma crítica a um parapente, no receio de serem interpretadas como "garoto(a)- propaganda" ou crítico(a)de uma marca. A minha opinião é que se cada piloto tornasse público suas impressões acerca do parapente que voa, a escolha na hora da troca seria mais fácil e mais criteriosa. Certamente há mercado para todo mundo e qualidades e defeitos em todos os paracas. Precisamos descobri-los no intuito de achar aquele que combine mais com o que buscamos.



foto: Swing


Após o prólogo de praxe, vamos ao que interessa: O Mistral 5.
Na Sexta, cheguei na Serra da Moeda em BH por volta das 09:30 com o objetivo de fazer algum controle de solo com a minha nova vela antes de voar. Ansioso como uma criança que acaba de ganhar um brinquedo, tratei logo de abrir o paraca no pouso para infla-lo. Logo notei o acabamento caprichoso da Swing. Costuras, painéis e design me impressionaram muito positivamente. Velcro na ponta dos estabilizadores, borracha anti-derrapante nos batoques são bons e úteis "acessórios".
Seguindo a nova onda, o Mistral 5 também não tem linhas "D". São três tirantes (A, "baby A", B e C); o caso é que o tirante C vem com o que vou chamar de "Baby C": um pequeno tirante que nasce do C principal e que morre nas linhas do centro da vela; eu e outros piltos fizemos várias suposições a respeito de sua utilidade - resguardar um pedaço da vela do efeito do acelerador, diminuir arrasto, fazer com que o freio não atue (ou atue menos) no terço central da vela; poderia até o tal "Baby C" ser apenas uma solução da Swing para a ausência do "D" e aí ele não seria um "Baby C" e sim um "Pseudo D"... enfim, foram várias suposições sem que no entanto chegássemos a um consenso. Até o momento o manual do Mistral 5 está disponível apenas em Alemão, o que limita em muito a minha curiosidade.
O Mistral 5 tem ainda uma linha que atravessa toda a vela, por entre as células, no terço próximo ao bordo de fuga. Essa fita foi considerada por todos que a viram, consensualmente, um estabilizador da vela.

A INFLADA: O Mistral 5 é uma vela muito tranquila na inflada. Não sobe rápida demais, o que me pareceu uma qualidade bastante importante já que o ventão estava razoavelmente encorpado no dia de nossa estréia. Talvez na ausência de vento na decolagem essa peculiaridade se torne um defeito. De toda forma, nunca fui chegado em velas que sobem de forma brusca e rápida demais. Neste quesito, ponto para o Mistral 5.

O VÔO: Comandos precisos e honestos, sem nenhuma dose exagerada de conforto que prejudique o feedback necessário para a pilotagem ativa, o Mistral 5 me pareceu uma vela muito bem equilibrada, com uma certa tendência a esportividade. Os comandos não são muito macios e o seu curso de freios é compatível com o de um LTF 1-2: longo e tolerante.
O visual é um detalhe à parte; como haviam dois Mistral 5 voando na Moeda (deve ser a única rampa do mundo nesse momento em que voam dois Mistral 5 juntos) tive a oportunidade de ver a vela em vôo também; o shape do Mistral 5 é muito moderno e me lembrou muito as fotos que vi do Sport 4 da Airwave, com grande arqueamento e tensionamento dos estabilizadores que dão a vela um visual bem diferente.

RENDIMENTO E SEGURANÇA:Tive a impressão de que a vela perde pouco ( ou menos do que eu imaginava ) durante as turbulências e movimentos do Pitch, mas essa é uma impressão que eu ainda preciso confirmar. A velocidade de mãos altas é satisfatória e compatível com uma 1-2 moderna; porém, ao usar o acelerador tomei um "bom" susto: a vela acelerada rende MUITO com uma taxa de queda muito boa para a classe. É o tipo de vela que faz com que o piloto use o acelerador com frequência; acelerada, é bem estável e rende muito bem, um binômio difícil de ser encontrado na classe, convenhamos. OU a vela é estável acelerada OU rende bem. O Mistral 5 é estável e rende, com um afundamento muito honesto para a classe.
Peguei uma condição bem pauleira numa aproximação e a vela reagiu muito bem respondendo prontamente aos comandos, mostrando velocidade adequada para encarar o ventão na final e resistência a colapsos - não sofri sequer uma orelhinha e posso garantir que uma fechada eventual não estaria fora do script para a condição. Foi uma boa impressão do comportamento da vela.

RESUMO FINAL: O Mistral 5 é uma vela com performance digna dos novos e modernos 1-2. Não é a primeira vela para um piloto; trata-se talvez, de uma vela para quem voa de LTF/DHV 2 e quer fazer um bom Downgrade sem perder performance ou para o piloto que quer começar a colocar um pouco mais de tempero em seus vôos de fim de semana. No cross, acho que vai acompanhar tranquilamente o povo do pelotão "intermediário".
Eu fiquei muito satisfeito com o paraca; atendeu plenamente minhas expectativas iniciais.

segunda-feira, 17 de março de 2008

Por que voar de DHV 1-2?



Eu e um irmão "vertebrado" em Mariana/MG. Crédito da foto para o amigo Rogério.

Acabei de trocar a minha vela. Vendi o "Nemo" (um Ellus 2 que me deu muita felicidade) e comprei um Mistral 5 da Swing, também DHV 1-2 que infelizmente ainda não tive oportunidade sequer de inflar dada as condições diluvianas da região.
Vez ou outra, sou questionado sobre os motivos que me levam a continuar voando de velas de homologação baixa. Como a escolha do tipo de vôo que queremos fazer é uma questão que me parece importante, vou dar os meus motivos, que, afinal, estão longe de ser uma verdade absoluta. Trata-se somente da minha verdade, que pode ser diferente da sua e, seguramente, é diferente DA verdade, essa por sua vez diferente da minha e da sua.

1)Um mito muito comum no vôo livre, é de que o desempenho de um piloto melhora na medida em que ele passa a voar de velas de homologação mais alta.
Não é verdade; trata-se de um caso "do rabo que abana o cachorro" O desempenho do piloto melhora na medida em que ele torna-se mais capaz de entender a dinâmica do vôo livre e aplica-la de forma instintiva durante o vôo. A regra correta seria melhorar o piloto e depois trocar a vela (aí sim o cachorro abanaria o rabo) e não trocar a vela na intenção de melhorar o piloto. Além de ser uma atitude completamente ineficaz, mostra-se vez ou outra temerosa e inconsequente.

2)Um parapente DHV 1-2 de fabricação recente não limita o vôo de grande parte dos pilotos que eu vejo em rampas pelo Brasil a fora.
É errado imaginar que é regra geral, aplicável a todos no vôo livre, a premissa de que um vôo vai mais longe ou dura mais tempo se o piloto estiver voando velas de homologação mais alta. Ao contrário, o vôo pode ser melhor sob todos os prismas se o piloto voar em uma vela que lhe transmita mais segurança e não o surpreenda em situações mais críticas de turbulência. São inúmeros os exemplos de situações que comprovam essa teoria.

3)Talvez seja essa a questão mais delicada; a vaidade e a ética de grupo. O vôo livre é um esporte que transborda vaidade. Os pilotos são levados a imaginar que são pessoas "mais especiais que os outros" pelo fato de terem condições de carregar dentro de uma mochila as asas que os levam onde poucos têm coragem ou condiçoes de ir. A plenitude de estar voando às vezes é tão marcante que nos esquecemos que somos seres errantes num planetinha azul; deixamos de lembrar enfim, que somos tão mortais como qualquer outro.
Como em qualquer outro meio social, no vôo livre também surgem regras inconscientes de condutas, que tendem a se sobrepor as regras de comportamento normais que valem para todas as outras situações. Tudo bem quando a ética pessoal não se perde...
Quando estamos na rampa falamos e agimos de maneira própria, de forma a que àqueles que não são do nosso "clã" imaginem até que dialogamos em um idioma desconhecido e que àquelas roupas coloridas e diferentes (algumas sem nenhuma serventia) são feitas exclusivamente para aqueles seres especiais.
A essas peculiaridades sociais daremos o nome de ética de grupo. A ética de grupo usualmente, não passa de um meio legítimo de identificação de pessoas com o mesmo interesse social; assim também o é no vôo livre. O problema é que as vezes a ética do grupo impõe algumas ações temerosas.
A vaidade da qual falamos acima, juntada a ética de grupo cria condições ideais para que nasça a cultura do-cabra-bom-voa-de-vela-brava, premissa que mostra-se diaria e exaustivamente falsa.

4)Se eu pudesse dar uma sugestão a todos os meus irmãos de vôo eu diria: Voe o que lhe faça feliz! Preferencialmente, com o parapente que signifique o caminho mais fácil para a felicidade que só nós conhecemos: estar nas alturas escutando e sentindo o vento. Descobrindo na prática que o invisível e improvável existem e são tangíveis.
Afinal, somos todos especiais mesmo né?

Brevemente, posto as fotos e minhas impressões do Mistral 5.